Internacional 7 novembro 2026 3 min de leitura

Marquinhos Xavier: «Não posso depender de ganhar títulos para acreditar no processo»

O selecionador do Brasil analisou a passagem à final da Finalíssima de Futsal 2026, depois do empate 1-1 com a Argentina e da vitória por 5-4 nas grandes penalidades, e falou sobre a Espanha e a arbitragem.

O selecionador do Brasil analisou a passagem à final da Finalíssima de Futsal 2026, depois do empate 1-1 com a Argentina e da vitória por 5-4 nas grandes penalidades, e falou sobre a Espanha e a arbitragem.

Marquinhos Xavier não quis fazer leituras definitivas sobre a qualidade das seleções depois da meia-final disputada na Arena Niterói. Para o selecionador, a vitória sobre a Argentina é importante, mas não muda a forma como a equipa encara o ciclo que se segue.

Ao analisar a partida, afirmou: «Ter marcado o golo, ter ganho o jogo e não mudaria absolutamente nada.»

«Não posso ficar dependente de ganhar títulos com o Brasil para acreditar no ciclo de 2028. Tenho de acreditar no processo, mesmo que, em alguns momentos, seja doloroso perder. Pode doer, mas não mata», afirmou.

Penáltis e detalhes

Sobre a decisão por grandes penalidades, Marquinhos Xavier considerou que o desempate depende de muitos fatores. «Os penáltis são sempre muito emocionais. A Espanha também passou nos detalhes. É uma corrida de 100 metros em que não dá para medir quem passa à frente; é preciso uma fotografia de chegada para saber quem é o melhor», disse.

O selecionador admitiu que as equipas costumam perder força emocional nos penáltis. «Historicamente, já aconteceu, inclusive com a Argentina. Preparamo-nos para um jogo de 40 minutos para ganhar e, quando chegamos aos penáltis, alguns adversários chegam emocionalmente melhor do que nós. Tivemos de nos reconstruir. Hoje tivemos muita competência: cinco penáltis muito bem marcados.»

Espanha e a final

Marquinhos Xavier elogiou a Espanha, adversária na final. «É um rival extremamente competente, muito motivado, que vem de uma conquista importante, o Europeu. Isso dá ao grupo a sensação de que este é o caminho certo, e é por aí que chega novamente a uma final.»

Sobre o jogo, afirmou que vai ser uma partida observada por todo o mundo, mas recusou a ideia de que seja apenas um exame. «Parece um exame de preparação, ou uma montra do que vamos poder ver. É difícil separar isso, porque o desporto pressiona-nos a vencer. Internamente, o segredo é ter os pés no chão e perceber que ganhar não nos leva a muitos sítios. Perder durante um ciclo inteiro e ganhar o Mundial é o mais importante.»

Também disse que gostaria de defrontar Portugal, mas que o regulamento não o permite nesta fase. «Tenho a certeza de que seria bonito enfrentar Portugal. Gostaria de jogar com todos, porque estamos aqui para medir isso, mas o regulamento não nos permite.»

Jogo físico e arbitragem

Quando questionado sobre os confrontos entre equipas sul-americanas, o selecionador explicou que o Brasil procura jogar um futsal limpo e técnico. «Fizemos poucas faltas, nenhuma agressiva, porque temos essa cultura de jogar. Mas estamos num continente que nos define como aguerridos e sanguíneos. Quando nos encontramos com uma equipa sul-americana, o físico ganha mais destaque do que o jogo.»

Sobre a arbitragem, Marquinhos Xavier defendeu que os árbitros devem privilegiar o jogo bonito e proteger o talento. «Mas, quando se fala de arbitragem, todos que gostam de futebol, de futsal, gostamos que isso tenha um pouco de reino.» «Não gosto do excesso de jogo no chão, de entradas que recuperam a bola mas impedem o jogador de continuar de pé. Temos de defender os melhores e os talentos, que têm uma compleição física mais frágil. A regra devia protegê-los, para que o jogo fosse mais claro para quem assiste.»

O apoio do público

O selecionador destacou ainda a importância de jogar em casa. «Estar em casa é uma pequena vantagem. O adepto brasileiro é crítico, cobra nos momentos difíceis, mas apoia-nos muito. Sentimos essa energia dentro do campo.»

Por Futsal Portugal