Nacional 7 novembro 2026 5 min de leitura

André Coelho: «A falta de eficácia é tremenda. Os culpados somos apenas e exclusivamente nós»

O capitão da Seleção Nacional não escondeu a desilusão após a eliminação de Portugal nas meias-finais da Finalíssima 2026, diante da Espanha. Para André Coelho, a equipa foi superior em vários momentos e a falta de eficácia é um problema que ultrapassa este encontro.

O capitão da Seleção Nacional, André Coelho, não escondeu a desilusão após a eliminação de Portugal nas meias-finais da Finalíssima 2026, diante da Espanha. Apesar da derrota nas grandes penalidades, depois do empate a dois golos, o internacional português considerou que a equipa das Quinas foi superior em vários momentos e identificou na falta de eficácia um problema que ultrapassa este encontro.

A Arena Niterói foi palco de mais um capítulo intenso da rivalidade entre Portugal e Espanha. A Seleção Nacional conseguiu recuperar de uma desvantagem, deu a volta ao marcador e esteve perto de garantir a presença na final, mas um golo espanhol em situação de 5x4, já no último minuto, levou a decisão para as grandes penalidades.

«Fomos muito bem recebidos no Brasil»

O capitão começou pela experiência fora de campo: «Foi bom, obviamente. Eu tenho aqui muita família. Aliás, boa parte da minha família está aqui no Brasil. É a primeira vez também que alguns deles vieram ver ao vivo. Portanto, fomos muito bem recebidos. A cidade, obviamente, é fantástica, e o país.»

«Saímos de cabeça erguida, com um orgulho fantástico naquilo que fizemos»

Sobre o sentimento ao sair da Arena Niterói, André Coelho respondeu: «Estamos muito confiantes no nosso trabalho. Temos uma excelente equipa, vimos há muitos anos juntos, o melhor selecionador do mundo, portanto as expectativas eram grandes. Saímos de cabeça erguida, saímos com um orgulho fantástico naquilo que fizemos. Fomos superiores no jogo, faltou-nos eficácia, mas saímos de cabeça erguida. Estamos mais uma vez num palco. Portugal está há muitos anos nas grandes finais e, portanto, umas vezes caem para nós, outras vezes não caem. Agora é levantar a cabeça. Domingo estamos aí para conquistar uma medalha.»

«O 0-0 ao intervalo é injusto para nós»

Questionado sobre o momento em que o jogo podia ter ficado decidido, foi claro: «Não, obviamente, o 0-0 ao intervalo acho que é injusto para nós, pela falta de eficácia. A Espanha também teve boas ocasiões, mas nós acabámos sempre por estar por cima. A Espanha, sempre que num jogo de 4-0, era muito a bombear a bola para a frente, num 3-1 a tentar jogar muito com o pivô, nós sempre defendemos muito bem, sem criar grandes ocasiões. Estivemos muito bem. Ali entrámos a perder numa situação que era uma bola de saída nossa e, portanto, acaba por ser ali um golpe duro. Mas reagimos muito bem. Já estamos habituados, infelizmente, a entrar a perder nos jogos. E aquele golo em 5x4, obviamente, deitou-nos um bocado abaixo e não conseguimos fechar.»

«A falta de eficácia não é só de hoje. É um problema que temos identificado»

Sobre se a finalização é o principal fator que tem impedido Portugal de chegar mais longe, o capitão não fugiu à questão: «Sem dúvida, sem dúvida. Temos uma falta de eficácia tremenda. Não é só de hoje, nas outras competições também. Agora, recentemente, jogos com a Dinamarca e com a Roménia, apesar de termos feito alguns golos, obviamente acaba por ser escasso. É um problema que temos, que identificamos, não só aqui como também nos clubes. Mas só depende de nós. Depende de cada um. Os culpados da falta de eficácia somos apenas e exclusivamente nós. Temos de trabalhar mais, temos de treinar mais, para que nesses momentos decisivos consigamos fazer melhor.»

«Portugal está sempre nas decisões. É onde queremos estar»

Sobre o caminho rumo ao próximo Mundial, afirmou: «Sem dúvida. Acho que está claro este caminho que temos vindo a fazer nos últimos dez anos, desde ali do Mundial da Colômbia. E é isto que eu disse na resposta anterior: Portugal está sempre nas finais, Europeus, Mundiais, Finalíssimas. Estamos nas decisões, que é onde queremos estar. A partir daí, se a bola bate no poste de dentro ou bate no poste de fora, já depende muito do nosso trabalho. Mas estamos cá e estamos aqui, obviamente, para durar e ficar cá.»

«Não é a medalha que queríamos, mas temos o nosso orgulho próprio»

Quanto ao jogo do terceiro lugar: «Temos uma medalha para ganhar. Não é a medalha que queríamos, não é o jogo que queríamos disputar, mas temos o nosso orgulho próprio, como país, como seleção, como jogadores.» E sobre o dia de sábado: «O dia de amanhã é como se fosse chegar à final. Vamos ter tempo para descansar, vamos ter tempo para preparar. É mais uma medalha que podemos ganhar. Obviamente que queríamos estar a disputar a final. Não podendo estar, vamos sair com tudo para ganhar o terceiro lugar.»

A exigência de quem já não se satisfaz apenas com boas exibições

As palavras de André Coelho traduzem uma exigência que se tornou parte da identidade competitiva da Seleção Nacional. Portugal já não encara a presença entre as melhores equipas do mundo como um acontecimento extraordinário, mas como uma responsabilidade construída ao longo de uma década de crescimento sustentado.

O capitão reconheceu a qualidade da exibição portuguesa, particularmente na resposta ao primeiro golo espanhol e na capacidade de contrariar as diferentes organizações ofensivas do adversário. No entanto, a criação de oportunidades voltou a não encontrar correspondência na finalização. E foi nesse ponto que assumiu uma posição mais exigente: sem atribuir responsabilidades ao azar ou à arbitragem, considerou que a dificuldade de concretização é um problema identificado, que também se manifesta nas competições de clubes. A solução, na sua perspetiva, está no trabalho individual e coletivo e na repetição em treino.

André Coelho recusou ainda que a eliminação colocasse em causa o percurso da Seleção Nacional ou o trabalho de Jorge Braz. A referência ao Mundial da Colômbia, em 2016, enquadra uma geração que transformou a ambição portuguesa em conquistas e consolidou a presença regular de Portugal entre as grandes potências do futsal.

Desta vez, a final escapou. No domingo, Portugal volta à Arena Niterói para disputar o terceiro lugar: não será o encontro desejado, mas é uma oportunidade de responder à desilusão com a mesma identidade competitiva dos últimos anos. A mensagem do capitão resume-se numa ideia: Portugal criou, competiu e acreditou, mas tem de transformar a superioridade em golos. Porque, ao mais alto nível, jogar melhor pode não chegar. É preciso decidir melhor.

Declarações: André Coelho, capitão da Seleção Nacional, após o Portugal–Espanha.

Por Zona Técnica