Nacional 7 novembro 2026 5 min de leitura

Jorge Braz: «Estou muito triste por eles. Os futsalistas portugueses mereciam mais»

Portugal caiu nas meias-finais da Finalíssima 2026 diante da Espanha, após um empate a dois golos e uma longa decisão por grandes penalidades (7-8). Na conferência de imprensa, Jorge Braz não escondeu a frustração, mas valorizou a resposta da equipa, sobretudo na segunda parte.

Portugal caiu nas meias-finais da Finalíssima 2026 diante da Espanha, após um empate a dois golos e uma longa decisão por grandes penalidades (7-8). Na conferência de imprensa, Jorge Braz não escondeu a frustração pelo resultado, mas fez questão de valorizar a resposta da equipa, sobretudo na segunda parte. O selecionador assumiu o sabor amargo da eliminação, distinguiu esta derrota daquela sofrida na final do Europeu e deixou uma mensagem de confiança no caminho que a Seleção Nacional continua a percorrer.

A Arena Niterói voltou a ser palco de um confronto de enorme intensidade entre Portugal e Espanha. Depois de uma primeira parte sem golos, os espanhóis adiantaram-se no marcador, mas a equipa das Quinas reagiu, deu a volta ao resultado e esteve muito perto de garantir a presença na final. O empate espanhol, já no último minuto e numa situação de 5x4, levou a decisão para as grandes penalidades, nas quais a formação de Jesús Velasco acabou por ser mais eficaz.

Na análise ao encontro, Jorge Braz destacou a superioridade portuguesa em vários momentos da segunda parte, a forma como a equipa conseguiu ultrapassar a pressão espanhola e a personalidade demonstrada para inverter o resultado. Mais do que apontar responsabilidades individuais, insistiu no orgulho que sente pelos seus jogadores e na convicção de que Portugal continua a pertencer à elite do futsal mundial.

«Tenho um orgulho brutal naquilo que fizemos»

Questionado sobre o que faltou para chegar à final, o selecionador apontou um erro defensivo: «Foi um erro, se calhar, que tivemos ali a defender, quando tínhamos preparado muito bem o 5x4 da Espanha e aquilo que tínhamos de fazer. Mais do que isso, tenho um orgulho brutal naquilo que fizemos, de sermos Portugal. (…) Mas, quando mexemos um bocadinho o peito e percebemos: “Não, somos Portugal”, a segunda parte é toda nossa. Virámos bem o jogo. Ok, há um erro. Temos oportunidades até aos últimos segundos. O que queríamos? Queríamos muito vencer, mas, bom, é o que acontece. Fomos para as grandes penalidades e a Espanha foi melhor nesse ponto. Parabéns à Espanha, foi uma grande vitória.»

«Sempre muito tranquilo, porque confio nos jogadores portugueses»

Sobre a sua serenidade na área técnica, Jorge Braz respondeu: «Estou sempre muito tranquilo. Nós temos trabalhado tão bem, tão bem, ao longo destes anos todos, que é neste patamar que queremos andar sempre. (…) Depois de superarmos uma primeira parte, de estarmos a perder por 1-0, aquilo que fizemos na segunda parte, como fomos para cima… Há desporto, isto acontece. Mas, pelo que produzimos, pela forma como dissemos assim: “Vamos virar isto, vamos ser nós, vamos jogar com a nossa vida”… Mas pronto, seguimos.»

«Foi um grande jogo, com momentos muito bons das duas seleções»

Questionado sobre se a finalização foi o fator determinante, o selecionador recusou essa leitura: «Não, não, não, não. O André e o Bernardo também estiveram muito bem. Este foi um grande jogo. Tivemos períodos muito bons da Espanha na primeira parte, períodos muito bons nossos na segunda. A Espanha até está a pressionar-nos, até no desespero, e a forma como conseguimos ter a bola, como conseguimos superar essa pressão (…)»

«Estou muito triste pelos jogadores, porque eles merecem»

A atitude da equipa fez lembrar o espírito de 2018, e Jorge Braz confirmou: «Ah, este é o espírito de sempre. Muito triste pelo resultado deles, que eles merecem. Eles, os futsalistas portugueses, é que merecem. E o triste é por eles, não é por mim. (…) A forma como lutaram, superaram uma Espanha com a qualidade que têm, da maneira que nós superámos, parece-me, na segunda parte, acho que diz tudo da qualidade que tivemos em muitos momentos. Por esse sentimento, acho que merecíamos mais. (…) Sempre a equipa de futsal português, nunca por mim.»

«Nunca duvidei do nosso caminho. Nunca»

Sobre o sabor desta derrota face à da final do Europeu e a confiança rumo ao próximo Mundial, afirmou: «Sim, eu nunca duvidei do nosso caminho. Nunca. A forma como olhamos para a base, a forma como olhamos para os nossos meninos e meninas, a forma como temos desenvolvido todo este processo, eu nunca duvidei deste patamar em que andamos. Agora, às vezes, é do desporto. Ultimamente não tem caído para o nosso lado. Mérito da Espanha também. O Europeu parece-me merecido. Chega-se ao fim do jogo e diz-se assim: “Parabéns, campeões da Europa”. Hoje fico a ter esse sabor amargo, se calhar no âmbito global do que produzimos.»

Uma derrota com um sabor diferente

A análise do selecionador deixou clara a diferença entre as duas derrotas recentes diante da Espanha. Se na final do Europeu reconheceu o mérito espanhol na conquista do título, desta vez considerou que a produção da sua equipa justificava outro desfecho.

A segunda parte foi o principal argumento: Portugal reagiu à desvantagem, encontrou soluções para ultrapassar a pressão adversária, chegou à liderança e criou oportunidades para ampliar a diferença. O empate sofrido perante o 5x4 espanhol, já na reta final, impediu que essa reação se traduzisse na presença na final. Ainda assim, Jorge Braz recusou reduzir o encontro à eficácia na finalização e valorizou os diferentes momentos de domínio das duas equipas, a qualidade dos guarda-redes e, sobretudo, o comportamento coletivo dos jogadores.

A maior tristeza, insistiu, não era pessoal: era pelos 14 internacionais portugueses que, na sua perspetiva, tinham feito o suficiente para merecer outra sorte.

Portugal não conseguiu defender o título conquistado em 2022, mas mantém em aberto a possibilidade de terminar a Finalíssima no pódio, com o encontro de atribuição do terceiro lugar marcado para domingo, 8 de novembro.

Declarações: Jorge Braz, em conferência de imprensa após o Portugal–Espanha.

Por Zona Técnica