Internacional 8 novembro 2026 5 min de leitura

Ángel Claudino: «Jogamos até onde os árbitros permitem. São eles que definem os limites»

A Argentina terminou a Finalíssima 2026 no terceiro lugar, depois de vencer Portugal por 3-1, na Arena Niterói. Ao final do encontro, Ángel Claudino, internacional argentino que representa o SC Braga, falou em exclusivo à Zona Técnica Futsal sobre o equilíbrio entre as grandes potências mundiais, a intensidade física do jogo e a influência dos critérios de arbitragem.

Portugal e Argentina chegaram ao encontro de atribuição do terceiro lugar depois de duas eliminações nas grandes penalidades, diante da Espanha e do Brasil, respetivamente. Numa partida em que a Seleção Nacional assumiu maior iniciativa ofensiva, a formação de Matías Lucuix revelou maior eficácia nos momentos decisivos e conquistou a medalha de bronze.

No final, Ángel Claudino destacou a qualidade das quatro seleções presentes na competição e defendeu que, neste nível, os encontros são decididos por diferenças muito reduzidas.

«Estão aqui quatro das melhores seleções do mundo»

Questionado sobre a vitória diante de Portugal, o internacional argentino valorizou o equilíbrio competitivo entre as equipas presentes em Niterói.

«Na verdade, estão aqui quatro das melhores seleções do mundo e os jogos são muito disputados. Neste jogo viu-se isso. Foi uma partida muito equilibrada e, desta vez, caiu para o nosso lado. Estamos felizes.»

A Argentina conseguiu assim terminar no pódio, depois de ter levado o Brasil às grandes penalidades na meia-final, confirmando a capacidade para discutir resultados diante das principais seleções internacionais.

«Quando cheguei a Portugal, custou-me um pouco»

Atualmente ao serviço do SC Braga, Claudino abordou também a experiência no futsal português e as dificuldades que encontrou na adaptação às características da competição.

«Quando cheguei custou-me um pouco, porque é um jogo muito físico. Mas foi uma questão de adaptação e já me sinto bem. Na verdade, já sabia um pouco aquilo que ia encontrar, por isso estava mais preparado.»

Uma observação interessante, sobretudo quando se associa frequentemente o futsal sul-americano a uma maior intensidade física.

Para Claudino, a exigência do contacto e dos duelos individuais não é exclusiva da Argentina, sendo igualmente uma realidade presente no campeonato português.

«Os adeptos do Braga fazem-me sentir em casa»

A integração no SC Braga não se resume ao contexto competitivo. O internacional argentino destacou também o ambiente vivido nos pavilhões e a proximidade que sente relativamente aos adeptos.

«Incrível, na verdade. Vêm, apoiam, é incrível. Vive-se como na Argentina, por isso faz-me sentir como se estivesse em casa também.»

O apoio dos adeptos bracarenses tem sido, assim, um elemento importante na adaptação do jogador, que encontrou em Portugal um ambiente com semelhanças à paixão com que o futsal é vivido no seu país.

«Cada um vai a todas as jogadas como se fosse a última bola»

Uma das questões colocadas pela Zona Técnica Futsal esteve relacionada com a agressividade física argentina, particularmente evidente no encontro diante do Brasil, e com a comparação com aquilo que habitualmente se observa nas competições portuguesas.

Claudino considerou que a intensidade faz parte da identidade das duas seleções e atribuiu à arbitragem a responsabilidade de definir os limites da disputa.

«Acho que os jogos são assim. É até onde os árbitros nos permitem. Nós jogámos assim, sempre jogámos assim. Acho que Portugal joga igual. Por isso, acho que é normal.»

O internacional argentino aprofundou depois essa posição:

«Cada um vai a todas as jogadas como se fosse a última bola. Acho que é assim que se tem de jogar. E o limite é colocado pelos árbitros. Portanto, é uma decisão arbitral.»

Uma resposta que ajuda a compreender a perspetiva de um jogador habituado à exigência do futsal sul-americano e que conhece agora, por experiência própria, a realidade portuguesa.

Intensidade, agressividade e permissividade: onde está o limite?

As declarações de Ángel Claudino colocam em discussão uma dimensão importante do futsal atual: a relação entre a intensidade competitiva e a interpretação das regras.

O Brasil–Argentina ficou marcado por uma abordagem fisicamente muito exigente, com contactos sucessivos, disputas intensas e momentos em que a agressividade condicionou a continuidade do jogo.

Mas há uma diferença fundamental entre agressividade positiva e agressividade excessiva.

Pressionar alto, antecipar, encurtar espaços e disputar cada bola com determinação são comportamentos essenciais no futsal de alto rendimento. Diferente é utilizar contactos irregulares como forma de interromper sistematicamente a progressão adversária.

É precisamente aqui que a arbitragem desempenha um papel determinante.

Quando Claudino afirma que os jogadores competem até onde os árbitros permitem, reconhece a influência do critério arbitral na intensidade que as equipas podem apresentar.

Uma arbitragem excessivamente permissiva pode acabar por favorecer quem recorre mais frequentemente ao contacto físico, condicionando jogadores com maior capacidade de desequilíbrio técnico e prejudicando a fluidez do encontro.

Contudo, o problema não está na identidade competitiva argentina, nem na exigência física que caracteriza o seu jogo. Está na necessidade de assegurar que essa intensidade respeita os limites regulamentares.

O futsal precisa de agressividade competitiva, mas não pode permitir que a agressividade substitua a qualidade da organização defensiva.

A posição de Claudino evidencia também que Portugal e Argentina partilham características de intensidade e competitividade, ainda que apresentem modelos de jogo e formas de interpretar os duelos diferentes.

A Argentina saiu de Niterói com a medalha de bronze, enquanto Portugal terminou a competição no quarto lugar. Mas a reflexão deixada pelo internacional argentino ultrapassa o resultado.

Competir no limite faz parte da identidade das grandes seleções. Garantir que esse limite protege a integridade dos jogadores, a criatividade e a qualidade do espetáculo é uma responsabilidade que pertence também à arbitragem.

Zona Técnica Futsal | Finalíssima 2026 — Arena Niterói, Brasil

Entrevista exclusiva a Ángel Claudino, internacional argentino e jogador do SC Braga.

Declarações traduzidas e adaptadas do castelhano para português europeu.

Por Zona Técnica