Internacional 29 outubro 2026 3 min de leitura

Roman Mareš: da fábrica ao Dina Moscovo, aos 51 anos ainda joga a Champions

Setenta jogos nas competições europeias de futsal, 101 internacionalizações e uma história que começou numa fábrica.

Aos 51 anos, Roman Mareš continua em campo na UEFA Futsal Champions League, ao serviço do FK Chrudim, onde veste o n.º 6 e joga como fixo. Nasceu a 15 de março de 1975, em Havlíčkův Brod, e é internacional checo.

Segundo a lista de recordes publicada pela UEFA a 29 de outubro de 2026, tem 70 jogos na Taça UEFA de Futsal e na Champions, a sexta marca de sempre, atrás de João Matos (98), Alex Merlim (83), Ricardinho (73), Roninho (73) e Higuita (72).

Começou por gosto

Começou no futsal há quase trinta anos, no Pramen Havlíčkův Brod. Era uma equipa de jogadores de futebol que se juntavam para jogar futsal, treinavam à noite e não recebiam nada por isso. Ganharam o título nacional.

Três golos que mudaram tudo

Depois do título, várias equipas russas vieram à República Checa e quiseram jogar com o campeão. Num desses jogos, o Pramen perdeu por 4-3 com o Dina Moscovo e Mareš marcou os três golos da sua equipa. O clube russo escolheu-o. Foi primeiro e, cerca de meio ano depois, o irmão Michal juntou-se-lhe. Segundo a ficha do clube, Mareš esteve no Dina de 2001 a 2006.

Antes de Moscovo, tinha trabalhado dez anos na manutenção da fábrica Zetor. Em Moscovo, passou a dedicar-se só ao futsal, numa equipa que recorda como uma das melhores do mundo, com jogadores espanhóis e brasileiros e taças intercontinentais. Uma curiosidade: o nome Dina não vem de Dynamo, mas do primeiro nome da mulher do presidente do clube.

Em Chrudim desde 2008

Quando voltou, regressou primeiro ao Pramen, em 2006/07, e vários clubes da primeira liga ligaram-lhe. Escolheu o Era-Pack, hoje FK Chrudim, porque ficava mais perto e oferecia as melhores condições. Em janeiro de 2019, contava 13 títulos de campeão checo, e a entrevista que deu ao clube em março de 2025 atribui-lhe 12 com a camisola do Chrudim.

Mais de cem jogos pela seleção

Em janeiro de 2019, antes de dois jogos com a Ucrânia que disse serem os últimos pela seleção, tinha 101 internacionalizações e 52 golos. Recordou como o maior sucesso ter jogado uma qualificação ao lado dos irmãos Michal e Petr, e a primeira qualificação histórica da República Checa para um Europeu e para o Mundial no Brasil. No Europeu de 2005, em Ostrava, na vitória por 2-1 sobre a Ucrânia, rompeu um ligamento cruzado do joelho e esteve meio ano parado.

O irmão de sempre

Jogou grande parte da carreira ao lado do irmão Michal, com quem foi à escola e à tropa e jogou futebol. Michal deixou o futsal por volta de 2019 ou 2020, e Mareš diz que isso lhe custou muito.

O segredo da longevidade

Em dezembro de 2025, perguntaram-lhe pelo segredo para continuar ativo. Disse que não tem receita e brincou com os colegas: «Faço tudo ao contrário e tudo funciona». Admite que evitou muitas lesões, embora tenha sido operado ao joelho, aos ligamentos cruzados, por volta de 2014.

Futebol de onze e veteranos

Além do futsal, Mareš joga futebol de onze no Rváčov, na 1.ª B třída do futebol checo. Faz isso desde 2021, a convite do presidente do clube: só joga os jogos e não vai aos treinos. Em março de 2025, disse que hoje o futsal é mais exigente, porque tem de acompanhar jogadores muito mais jovens num espaço pequeno.

Em dezembro de 2025, jogou também o Campeonato da República Checa de Veteranos, em Světlá nad Sázavou. Foi eleito o melhor jogador do torneio, e a equipa Veteráni Chrudim defendeu o título.

Quase ficou pelo caminho

Mareš contou que já tinha decidido parar três épocas antes de março de 2025, quando jogava só dois minutos por jogo. Continuou e agradeceu ao treinador Slováček a oportunidade.

Esta época, o Chrudim venceu por 12-7 no campo do Slavia, a 4 de setembro, na 2.ª jornada da 1.ª liga checa. Na Champions, a UEFA regista dois jogos dele nesta edição.

Por Futsal Portugal