Nacional 23 outubro 2026 9 min de leitura

Antevisão da Jornada 6 da Liga Placard, por António Aires

A Liga Placard está de regresso depois da pausa para os compromissos da Seleção Nacional de Portugal, somando apenas vitórias e deixando novamente uma excelente imagem do futsal português. Os números das primeiras cinco jornadas ajudam a entender o grau de competitividade da nossa Liga.

A Liga Placard está de regresso depois da pausa para os compromissos da Seleção Nacional de Portugal, somando apenas vitórias e deixando novamente uma excelente imagem do futsal português.

Os números das primeiras cinco jornadas ajudam, tendo por base um estudo estatístico realizado pelo meu amigo Pedro Catita, a quem agradeço desde já, a perceber o grau de competitividade da nossa Liga. Em 31 jogos foram marcados 182 golos, uma média de 5,9 por partida. Mais significativo ainda: em 72% do tempo jogado, o marcador esteve empatado ou separado por apenas um golo. Se alargarmos até dois golos de diferença, chegamos aos 85% do tempo total. E há um dado que merece ficar na memória: 39% dos golos surgiram nos últimos dez minutos. Ou seja, apenas 25% do tempo regulamentar concentra quase 40% de todos os golos marcados.

Sabemos que a frescura neurológica para optimizar a capacidade de decisão é fundamental, o que dizer de decidir, ainda melhor, quando estamos num estado de fadiga. Nesta Liga não basta entrar bem, nem sequer chegar primeiro à vantagem. É preciso saber jogar, sofrer e decidir até à buzina.

Além disso, marcar primeiro está longe de resolver um encontro. A equipa que inaugurou o marcador venceu apenas 45% dos jogos. Em contrapartida, quem chegou aos 35 minutos em vantagem nunca perdeu e venceu 83% dessas partidas. Um aviso para todos: desligar antes da buzina pode sair muito caro e ser a “morte do artista”.

Nesta 6.ª jornada, o Benfica-Torreense será disputado a 16 de dezembro.

Vamos aos jogos.

Portimonense SC vs Rio Ave FC

Este jogo coloca frente a frente duas equipas que chegam com estados emocionais bastante distintos. O Portimonense continua sem vencer. Depois de uma entrada na Liga onde competiu muito bem frente a Sporting e Benfica, perdeu posteriormente algum fulgor e chega agora de uma derrota por 3-1 frente ao Torreense, precisamente num encontro em que o adversário procurava a primeira vitória da época. Já não chega dizer que o Portimonense compete. É preciso transformar competitividade em pontos.

Do outro lado, o Rio Ave chega finalmente depois de conhecer o sabor da vitória. O 4-1 sobre a UP Venda Nova retirou algum peso à equipa de Bruno Guimarães e mostrou que, quando consegue controlar melhor os momentos defensivos, tem qualidade suficiente para construir vantagens. Os vila-condenses continuam a marcar com relativa facilidade, mas o equilíbrio entre criatividade ofensiva e segurança defensiva continua a ser a grande questão. E aqui entra um dos dados mais relevantes desta Liga: 39% dos golos foram marcados entre os 31 e os 40 minutos. Num jogo entre duas equipas que têm vivido encontros emocionalmente instáveis, a capacidade para chegar organizada aos minutos finais pode valer tanto como aquilo que acontecer nos primeiros trinta.

Chave do jogo: a ansiedade do Portimonense e a gestão dos minutos finais. Se o Rio Ave marcar primeiro e controlar o ritmo, os algarvios poderão sentir o peso da classificação. Se o Portimonense entrar forte e conseguir chegar aos últimos minutos em vantagem, os números dizem-nos que estará muito perto de finalmente quebrar o enguiço.

Ferreira do Zêzere vs Eléctrico FC

É provavelmente um dos jogos mais equilibrados da jornada.

O Ferreira do Zêzere vem de uma excelente vitória por 3-1 em Famalicão, num jogo onde voltou a demonstrar pragmatismo. A equipa de Cristiano Coelho soma oito pontos e começa a revelar uma característica importante: é difícil de desorganizar, e por vezes é fria e pragmática na eficácia, como sucedeu no jogo da jornada anterior.

O Eléctrico chega num momento diferente. Depois de um excelente início de época, perdeu alguma regularidade e vem de um 3-5 frente ao Braga, num encontro em que chegou a estar em vantagem. Aqui, reside, talvez, o problema atual da equipa de Jorge Monteiro: continua competitiva, mas tem encontrado maiores dificuldades quando o adversário aumenta o “ritmo” sobretudo na segunda parte. E os números globais do campeonato, até ao momento, ajudam a perceber a importância desse aspeto: 63,7% dos golos da Liga foram marcados nas segundas partes. O jogo depois do intervalo está a ter um peso enorme nesta edição.

Outro dado relevante: em 71% dos minutos disputados até ao intervalo, o marcador esteve empatado ou com apenas um golo de diferença. Isso sugere precisamente o tipo de encontro que podemos ter em Ferreira do Zêzere: equilíbrio prolongado e decisão na parte final.

Chave do jogo: a capacidade para não perder organização nos vários momentos do jogo, quer a nível ofensivo como defensivo. Rui Fortes está de pé quente, leva já três golos e pode criar muitos problemas ao Eléctrico. Por sua vez, a equipa de Ponte de Sor terá de aproveitar as transições e impedir as ações dos “achigãos” para pontuar.

SC Braga vs Sporting CP

Para mim, o grande jogo desta jornada.

Os arsenalistas chegam, apesar de alguma titubeação, num excelente momento competitivo. A equipa de Joel Rocha já começa a mostrar aquilo que se esperava dela: maior capacidade para controlar diferentes momentos do jogo, perigo constante nas bolas paradas e soluções suficientes para marcar através de vários jogadores.

O Sporting, por sua vez, continua invicto no campeonato e chega com a identidade que já conhecemos: enorme capacidade de criação, mobilidade constante e possibilidade de alternar entre 3:1 e 4:0 com muita naturalidade. Este é um daqueles jogos onde os números da Liga ganham um significado especial.

Em 72% de todos os minutos disputados no campeonato, o marcador esteve empatado ou separado por apenas um golo. Se há jogo onde espero que esta tendência seja confirmada, é precisamente este.

Outro dado decisivo: a equipa que chegou aos 30 minutos a vencer ganhou 71% dos jogos. Aos 35 minutos, essa taxa sobe para 83%. E mais: ninguém perdeu depois de chegar aos 35' em vantagem.

Num confronto previsivelmente equilibrado, onde cada detalhe contará, entrar nos últimos cinco minutos por cima no marcador poderá valer muito mais do que uma simples vantagem de um golo.

Os guerreiros do Minho terão ainda o fator casa, que nesta edição tem sido relevante. As equipas anfitriãs marcaram 107 dos 182 golos da competição e venceram praticamente metade dos jogos disputados.

Mas do outro lado está uma equipa habituada a competir em ambientes de enorme pressão, em que a máxima é vencer todos os jogos em qualquer lado.

Chave do jogo: bolas paradas, transições após perda e gestão dos últimos dez minutos. O Braga não pode oferecer espaço ao Sporting depois de perder a bola; o leão terá de evitar os hiatos de concentração defensiva que, num jogo desta exigência, podem ser imediatamente castigados.

UP Venda Nova vs FC Famalicão

Duas equipas separadas por muito pouco e com bastante a provar. A UP Venda Nova já conseguiu fazer história com a primeira vitória na elite, mas continua a viver um processo de adaptação. A equipa de Alcides Lopes mostrou capacidade para competir durante períodos importantes dos jogos, mas ainda sofre demasiado quando perde organização.

O Famalicão também atravessa um período de alguma instabilidade. Tem qualidade ofensiva e jogadores capazes de desequilibrar, mas continua a conceder demasiados golos.

Este é um jogo onde o fator casa pode assumir especial importância. Até ao momento, 48,4% dos encontros terminaram com vitória da equipa anfitriã, enquanto apenas 29% acabaram com triunfo visitante. Mais interessante ainda: 107 golos foram marcados pelas equipas da casa contra 75 das visitantes.

Isso não significa que a UPVN parte favorita. Significa apenas que o seu pavilhão pode ajudar a reduzir diferenças e transformar este encontro numa batalha muito mais equilibrada do que a classificação eventualmente sugere.

Há outro dado interessante: marcar primeiro não garante quase nada. A equipa que fez o primeiro golo venceu apenas 45% das partidas. Portanto, mesmo que uma destas equipas consiga uma vantagem inicial, será essencial perceber como reage quando o jogo mudar de estado.

Chave do jogo: estabilidade defensiva e controlo emocional. As duas equipas já mostraram capacidade para marcar; o problema está sobretudo na forma como defendem quando o jogo se abre. Quem conseguir evitar a quebra coletiva terá uma enorme vantagem.

Leões Porto Salvo vs AD Fundão

Outro excelente jogo para fechar esta parte da jornada.

Os Leões chegam feridos depois de uma pesada derrota no João Rocha. Miguel Velez tem agora de perceber como reage a equipa a esse golpe. Acredito que esta paragem no campeonato serviu para “olear e afinar” a máquina. O plantel continua a ter muita qualidade individual, o rendimento é que não pode oscilar tanto.

O Fundão também chega de derrota, mas num contexto completamente diferente. Perdeu por 2-1 com o Benfica, depois de ter chegado ao intervalo em vantagem, e voltou a mostrar que não está no grupo da frente por acaso. Peléh continua a ser uma das principais ameaças, mas a equipa da capital da cereja é muito mais do que um jogador. Os serranos são uma das equipas onde mais se sente aquilo a que, no futsal, chamamos “raça”: intensidade, reação à adversidade e capacidade para disputar cada lance como se fosse o último. Recordo, a equipa que marca primeiro ganhou apenas 45% dos jogos. O próprio Fundão já mostrou que consegue recuperar de situações de desvantagem. Dos 24 jogos que terminaram com vencedor, a equipa vencedora esteve, em média, 12% do tempo a perder. Isto mostra que saber reagir é uma característica estrutural desta Liga, e o Fundão confirma este dado estatístico.

Por outro lado, em 14 dessas 24 vitórias, a equipa vencedora nunca esteve em desvantagem. Ou seja, entrar na frente e saber controlar continua a ter enorme valor. Porto Salvo terá o fator casa e a obrigação de reagir. O Fundão chegará com a confiança de quem já provou que pode discutir jogos com qualquer adversário.

Chave do jogo: a resposta emocional dos Leões e a capacidade do Fundão para explorar momentos de instabilidade. Num campeonato onde existe uma média de três alternâncias de marcador por jogo, convém não assumir que a primeira vantagem decidirá alguma coisa.

SL Benfica vs SCU Torreense

Recordar que este encontro pertence à 6.ª jornada, mas será disputado apenas em dezembro.

Concluindo, a 6.ª jornada chega depois da pausa internacional. É uma Liga equilibrada, imprevisível e profundamente marcada pelos minutos finais.

Os números não deixam dúvidas: 39% dos golos surgem nos últimos dez minutos. Ou seja, nesta Liga não basta jogar bem. É preciso saber sobreviver aos momentos maus, interpretar as mudanças do jogo e estar preparado para decidir quando as pernas pesam, a pressão aumenta e as tomadas de decisão são imprecisas.

Em Portimão, o Portimonense procura desesperadamente a primeira vitória. Em Ferreira do Zêzere teremos um duelo de equilíbrio e organização. Na Venda Nova, duas equipas procurarão estabilidade e pontos. Porto Salvo recebe um Fundão que continua a demonstrar que pertence, por mérito próprio, ao grupo da frente.

Mas todas as atenções estarão inevitavelmente em Braga.

SC Braga-Sporting é o grande teste à ambição minhota e mais uma oportunidade para o Sporting confirmar a sua condição de referência.

Viva o futsal!

Por Futsal Portugal