Anaitasuna caiu em vinte minutos: o Palma resolveu antes do intervalo e fechou com um "charutazo"



Havia uma conta antiga para saldar em Anaitasuna, e o Illes Balears Palma Futsal saldou-a com juros. Não ganhava em Pamplona, em campeonato, desde dezembro de 2022 — e não só ganhou como demoliu, com uma primeira parte quase perfeita que deixou o Magna Xota sem jogo e sem argumentos ao intervalo. O 2-7 final confirmou o pleno de vitórias dos maiorquinos no arranque do Torneo Apertura, nove pontos em nove possíveis, e coroou uma noite que teve de tudo: cabeceamento, remates colocados, madeira, livre de 10 metros desperdiçado e um último golo sobre a buzina que ficará no resumo da jornada.

O jogo arrancou com o Palma a procurar a baliza navarra desde os primeiros compassos. Depois de vários avisos de Fabinho e de um remate cruzado de Charuto, a insistência insular encontrou o prémio: Charuto aproveitou um cruzamento perfeito de Júlio Zanotto para cabecear completamente isolado no segundo poste e inaugurar o marcador (0-1). A equipa de Antonio Vadillo não levantou o pé do acelerador e, na metade da primeira parte, após uma posse longa e elaborada, Fabinho executou um remate seco de pé direito para duplicar a vantagem (0-2). O técnico local viu-se obrigado a pedir tempo morto, enquanto, do outro lado, Carlos Barrón segurava a baliza a zero com uma grande intervenção.

**À passagem dos catorze minutos, Diego Nunes castigou com picardia um roubo de bola após lançamento lateral e, com a baliza desguarnecida por Asier, ampliou a diferença (0-3)**. E ainda houve tempo para mais antes do descanso: depois de o banco balear solicitar uma revisão de Vídeo Suporte por uma possível expulsão no lance com Iosu Mendive, o quadro tático de Vadillo voltou a dar frutos e Carlos Gómez culminou uma jogada de bola parada para colocar o 0-4, mandando o Palma para o vestiário com o jogo praticamente resolvido.

A segunda parte começou com a tentativa de reação navarra, e ela chegou cedo: volvidos três minutos, Iosu Mendive reduziu (1-4) e devolveu alguma esperança a Anaitasuna. Longe de acusar o golpe, o Palma respondeu e travou qualquer ideia de reviravolta **à passagem dos 29 minutos: Lucão simulou com a direita e, com um remate de pé esquerdo, assinou o quinto da noite (1-5)**. A nota negativa da noite para os insulares chegou logo depois, com as queixas na zona inguinal de Diego Nunes: o ala brasileiro abandonou o pavilhão e não voltou a jogar.

O Xota ainda atirou duas bolas à madeira, mas o conjunto maiorquino manteve a compostura e voltou a ferir. A seis minutos do fim, Piqueras juntou-se à festa com um remate potente ao ângulo para o 1-6. No troço final, os navarros cometeram a sexta falta, mas o livre de 10 metros de Fabinho saiu a raspar o poste, perdendo a chance de um oitavo. O Xota arriscou então o 5x4 e conseguiu recompensa: aos 38 minutos, Joaquín reduziu para 2-6. Ainda houve tempo, porém, para o último golpe balear. Sobre a buzina, Charuto assinou um autêntico "charutazo": recebeu de costas, livrou-se de dois adversários e rebentou a bola contra as redes para fixar o 2-7.

O Palma venceu porque resolveu o jogo no momento em que um jogo se resolve — nos primeiros vinte minutos. Foi eficaz de forma quase insultuosa, marcou de todas as maneiras possíveis (cabeça, remate colocado, roubo de bola, bola parada) e, sobretudo, geriu a segunda parte sem nunca dar ao adversário a sensação de que a reviravolta era possível. O Magna Xota falhou onde mais dói: entrou sem intensidade, permitiu que o adversário construísse posses longas sem pressão e chegou ao intervalo com uma dívida de quatro golos que nenhuma reação resolve. Teve o azar de encontrar duas vezes a madeira e um Carlos Barrón inspirado, mas o problema não foi de sorte, foi de leitura. Competitivamente, a noite consagra o Illes Balears Palma Futsal como líder isolado do Torneo Apertura com nove pontos em nove, dois à frente do Barça, e devolve a Pamplona uma praça que os maiorquinos não venciam há quase quatro anos. Para o Xota, a urgência é imediata: uma derrota por cinco em casa mexe com números, mas mexe sobretudo com a moral.


Figura do Jogo

Charuto (Illes Balears Palma Futsal). Abriu o marcador de cabeça, ao segundo poste, e fechou-o sobre a buzina com o melhor golo da noite — recebeu de costas, eliminou dois adversários e não deu chance a Asier. Com este bis chegou aos cinco golos, isolado na liderança dos melhores marcadores do Torneo Apertura. Começou o jogo e acabou-o: não há melhor definição de figura.


Foto - Illes Balears Palma Futsal


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