Rio Ave desperdiça vantagem de três golos e Braga arranca 6-6 épico em Vila do Conde
O Rio Ave FC e o SC Braga protagonizaram mais um espetáculo de golos em Vila do Conde, num empate a seis que teve de tudo: um arranque fulminante da equipa da casa, uma reviravolta parcial dos minhotos e um final eletrizante em que o Braga, a jogar contra um Rio Ave desfalcado, arrancou a igualdade nos instantes finais. Depois do 4-4 da primeira jornada, os vilacondenses voltaram a envolver-se num jogo louco — e voltaram a deixar escapar uma vantagem confortável.
O jogo começou a mil à hora. Logo ao primeiro minuto, Daniel Airoso serviu Tiago Sousa para o 0-1 do Braga, mas o Rio Ave respondeu num autêntico furacão. Ao minuto 2, Rúben Freire trabalhou e Martim Castela desviou ao primeiro poste (1-1); ao minuto 4, num par de segundos, Miguel Ângelo fez o 2-1 de livre direto e, logo a seguir, serviu Serginho para o 3-1; e ao minuto 10, Rúben Freire, servido por Gustavo Rodrigues, fez o 4-1 num remate desviado. Uma verdadeira aula de eficácia da equipa da casa.
O Braga reagiu com nervos e ousadia, e o duelo manteve-se aceso. Ao minuto 15, após falta de Rúben Freire, Peixinho converteu um livre de 10 metros por entre as pernas do guardião (4-2) mas, no minuto seguinte, chegou o golo da noite: Moreira esticou em Rúben Freire e o ala, junto à linha de fundo, tirou um autêntico chapéu sobre Léo Souza para o 5-2 com que se chegou ao intervalo, ainda que Mamadú Turé tivesse acertado no poste (16').
A segunda parte trouxe outro Braga, mais pressionante e a condicionar um Rio Ave em dificuldades. Ao minuto 24, Mamadú voltou a carimbar o ferro e, ao minuto 25, Daniel Airoso assistiu Peixinho para o bis (5-3). A tarefa da casa complicou-se ao minuto 27, com a expulsão de Miguel Ângelo por acumulação de amarelos, mas o Rio Ave resistiu e ainda dilatou: ao minuto 31, aproveitando uma subida falhada de Léo Souza, Martim Castela serviu Martín Dorda para o 6-3.
Quando o jogo parecia resolvido, o Braga lançou tudo no ataque e protagonizou uma reação furiosa. Com o guarda-redes Léo Souza subido no 5x4, Ángel Claudino bisou em poucos minutos primeiro assistido pelo próprio guardião (6-4, ao minuto 35) e depois por Ricardo Lopes (6-5) e, ao minuto 36, num lance caricato, Tiago Brito, ao lançar a perna para cortar uma tentativa de Dinis, foi atingido pela bola e surpreendeu Moreira para o 6-6. Nos minutos finais, o Braga ainda procurou a reviravolta completa, mas o resultado não mais se alterou.
Foi um empate espetacular e de sabor agridoce para ambos. O Rio Ave FC voltou a mostrar uma capacidade ofensiva impressionante, mas pagou caro a fragilidade defensiva, a expulsão desnecessária de Miguel Ângelo e a incapacidade de gerir uma vantagem de três golos, sentindo pela segunda vez na época o travo amargo de deixar escapar pontos. Já o SC Braga revelou um enorme carácter e nunca baixou os braços, sendo premiado pela ousadia e pela insistência com um ponto que, a dado momento, parecia impossível. Um ponto para cada num jogo que os adeptos não vão esquecer.
Figura do Jogo: Rúben Freire (Rio Ave FC)
O ala foi o grande protagonista do festival ofensivo vilacondense. Marcou dois golos — um deles um chapéu de sonho sobre Léo Souza — e ainda distribuiu duas assistências, sendo o motor do arranque arrasador do Rio Ave. Numa noite de muitos golos, foi Rúben Freire quem mais encantou. Menção para Peixinho, autor de um bis no regresso a Vila do Conde, e para Ángel Claudino, decisivo na reação bracarense com os seus dois golos.
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