Espetáculo de loucos em Vila do Conde: Rio Ave e Famalicão empatam num 4-4 eletrizante
O Rio Ave FC e o FC Famalicão protagonizaram o jogo mais louco e com mais golos da 1.ª jornada da Liga Placard, num empate a quatro que teve de tudo: dois autogolos, dois cartões vermelhos, reviravoltas sucessivas e um golo do empate já nos instantes finais. Num Pavilhão dos Desportos de Vila do Conde em festa, os vilacondenses estiveram por diversas vezes em desvantagem, mas nunca desistiram e arrancaram um ponto justo a um Famalicão eficacíssimo, agora orientado pelo regressado Cláudio Martins.
A primeira parte foi de claro domínio do Rio Ave, mas de eficácia máxima do Famalicão. Logo ao minuto 1, Gustavo Rodrigues avisou, e a equipa da casa carregou sem parar, esbarrando sempre num inspiradíssimo Guilherme Rego. Ao minuto 8, Dinis Ramos acertou no poste, e o guardião famalicense foi negando tudo. Contra a corrente, porém, foi o Famalicão a marcar: ao minuto 11, numa reposição lateral, Buzuzu meteu a bola na área e Moreira introduziu-a na própria baliza — 0-1, um autogolo que premiava a contenção visitante. Apesar do ascendente vilacondense, o intervalo chegou com a vantagem — e a baliza inviolada — do Famalicão, muito graças a Guilherme Rego.
A segunda parte foi absolutamente frenética. Ao minuto 21, o empate surgiu com novo lance infeliz: Rúben Freire cruzou e Guilherme Rego desviou para a própria baliza — 1-1. Dois minutos depois, num autêntico festival, tudo aconteceu. Ao minuto 23, Guilherme Rego assistiu Filipe Costa, que, de cabeça, num belo chapéu, aproveitou a saída em falso de Moreira para o 1-2; mas, na resposta relâmpago, ainda ao minuto 23, Rúben Freire serviu Serginho, que apareceu de rompante no corredor central para fazer o 2-2.
O jogo abriu-se por completo e a disciplina começou a pesar. Ao minuto 26, Gui Torres foi expulso por conduta violenta sobre Miguel Ângelo e o Rio Ave capitalizou de imediato a superioridade: Serginho serviu Miguel Ângelo, que disparou um autêntico míssil de pé esquerdo para o 3-2, colocando a equipa da casa na frente pela primeira vez na partida. A euforia, contudo, durou pouco. Ao minuto 31, numa tarde para esquecer, Moreira foi expulso com vermelho direto por defender com as mãos fora da área, deixando agora o Rio Ave em inferioridade — e a obrigar à entrada do guarda-redes Tiago Sacramento.
O Famalicão aproveitou a superioridade para dar a volta. Ao minuto 33, Simão Cordeiro serviu Buzuzu, que disparou colocado para o 3-3, e, ao minuto 34, na sequência de um canto, Rúben Santos encostou para o 3-4, completando a reviravolta. Ferido, o Rio Ave apostou no 5x4 a partir do minuto 37, com Serginho como guarda-redes avançado, e atirou-se ao empate. O Famalicão ainda desperdiçou de forma clamorosa, com Leandro Ribeiro a acertar no poste, mas acabaria castigado: ao minuto 39, Pedro Rodrigues abriu na direita e Francisco Silva, num excelente trabalho individual, tirou o adversário da frente e fuzilou as redes para o 4-4 que fixou o resultado.
Foi um empate justo e espetacular, num jogo que premiou a persistência do Rio Ave FC — sempre a correr atrás do resultado e capaz de reagir mesmo em inferioridade numérica — e a eficácia do FC Famalicão, que, com muito menos bola, esteve por diversas vezes na frente e só não levou os três pontos por falta de critério nos momentos decisivos e por um golo encaixado no derradeiro minuto. Um ponto para cada lado num arranque de Liga Placard que ficará na memória pela emoção.
Figura do Jogo: Serginho (Rio Ave FC)
O ala foi o motor da reação vilacondense. Marcou o golo do 2-2, assistiu Miguel Ângelo no 3-2 e ainda assumiu as funções de guarda-redes avançado no 5x4 que conduziu ao empate final. Incansável e decisivo nos momentos de maior aperto, Serginho foi o rosto da luta do Rio Ave por um ponto que a equipa nunca deixou de perseguir. Menção para Guilherme Rego, gigante na primeira parte apesar do autogolo, e para Francisco Silva, autor do golo que salvou a igualdade.
Foto - LigaPlacard