Dois golos bastaram ao Atlético CP em Viana do Castelo



Há estreias que começam a ser escritas antes do apito inicial e há outras que se decidem em trinta e oito segundos. Em Viana do Castelo, no arranque da Liga Feminina Placard, o Santa Luzia FC teve a primeira parte quase inteira para construir um resultado à sua imagem e foi precisamente no último suspiro dela que viu o jogo escorregar-lhe por entre os dedos. O Atlético CP, saiu do Pavilhão José Natário com uma vitória por 0-2 que tem tanto de justa quanto de cruel para quem jogava em casa: os golos nasceram de erros e de insistência, e não houve tempo, nem lucidez, para a resposta.

A equipa de Miguel Oliveira apresentou-se com Mariana Amorim de braçadeira e com Diana Monteiro entre os postes, a mesma Diana Monteiro que haveria de ser, simultaneamente, a figura que segurou o Santa Luzia e a última linha que acabou por ser vencida. Do outro lado, Pedro Henriques alinhou uma comitiva curta — dez atletas na ficha — com Mafalda Ângelo como capitã e Shirley Silva na condição de vice-capitã, e fez dessa limitação uma virtude: rotação criteriosa, paciência com bola e um plano que dependia menos do volume e mais do momento certo.

Durante quase toda a primeira parte o marcador resistiu, imóvel, a um jogo de xadrez em que nenhuma das equipas quis oferecer a primeira brecha. Mas o futsal cobra caro a desatenção, e a fatura chegou a trinta e oito segundos do intervalo. Numa reposição lateral do Santa Luzia ainda antes do meio-campo, Mariana Cavalcanti procurou a sua pivô com um passe que devia ser rotina e se transformou em sentença: Mariana Marques leu a intenção, cortou a linha de passe, recuperou a bola e conduziu-a até à entrada da área, sem oposição capaz de a travar. O remate saiu tenso, colocado, e Diana Monteiro nada pôde fazer. 0-1, e o intervalo a chegar no pior instante possível para quem jogava em casa — sem sequer o consolo de uma reposição para tentar responder.

O segundo tempo devolveu ao Santa Luzia a urgência que lhe faltara, mas devolveu também ao Atlético CP a certeza de que estava no caminho certo. O jogo abriu-se, as transições ganharam espaço e a baliza vianense passou a viver em sobressalto. A dois minutos e nove segundos do fim, o lance que resumiu o encontro: Beatriz Sanheiro apareceu dentro da área e viu Diana Monteiro negar-lhe o golo por duas vezes seguidas, duas defesas de instinto, de reflexo curto, das que valem tanto como um golo. Só que o futsal também premeia a insistência. A bola sobrou uma terceira vez para a mesma Beatriz Sanheiro, que desta vez levantou a cabeça em vez de rematar e serviu Catarina Ribeiro para o 0-2. Foi a diferença entre a teimosia e a inteligência — e foi o golo que fechou o jogo.

Em vantagem de dois, o Atlético CP ainda teve a oportunidade de transformar a vitória em goleada. A um minuto e oito segundos do fim, por acumulação de faltas, Mariana Marques colocou a bola na marca dos 10 metros, com a hipótese de bisar e de dar contornos definitivos ao resultado. Diana Monteiro, porém, levou a melhor, adivinhou o lado e deixou o marcador como estava. Não mudou o desfecho, mas devolveu à guarda-redes do Santa Luzia a dignidade de quem resistiu até ao último instante.

Nessa fase final, o Santa Luzia recorreu repetidamente ao guarda-redes subido, levando a própria Diana Monteiro para o terreno em busca da superioridade numérica no ataque.

Quando Cláudia Almeida apitou pela última vez, o 0-2 era o retrato fiel de um jogo em que a eficácia mandou mais do que a posse.

Venceu o Atlético CP porque soube esperar e porque foi cirúrgico nos dois momentos em que o adversário lhe abriu a porta: um passe mal medido antes do intervalo e uma bola mal aliviada dentro da área na reta final. Foi uma vitória de leitura, de paciência e de insistência — a mesma insistência que levou Beatriz Sanheiro a não desistir depois de duas defesas soberbas. Falhou o Santa Luzia na gestão dos instantes decisivos: perder a bola no próprio meio-campo a trinta e oito segundos do intervalo é um erro que, neste nível, se paga sempre; e o recurso ao guarda-redes subido chegou sem mecanismos claros para produzir superioridade real. Competitivamente, a equipa da Tapadinha entra a ganhar e arranca o campeonato com três pontos e um sinal de maturidade; o Santa Luzia começa com zero e com a obrigação de transformar o que foi boa organização durante quarenta minutos em pontos, antes que a distância se instale.

Foto - Atlético CP


Vídeos
FPF apresenta microplanos estratégicos e Plano Nacional de Arbitragem
Ricardinho anuncia o fim definitivo da carreira profissional em conferência histórica na Cidade do Futebol
Antonio Vadillo: o Arquiteto do Milagre Europeu no Futsal | Documentário
Os melhores golos da jornada 22 da Liga Placard
Os melhores golos da Jornada 20 da Liga Placard Futsal
Os melhores golos da jornada 19 da Liga Placard
Os melhores golos da jornada 22 da Liga Feminina Placard
Os melhores golos da Jornada 21 da Liga Feminina Placard
Os melhores golos da Jornada 20 da Liga Feminina Placard
Os melhores golos da jornada 18 da Liga Placard
Ficha técnica | Lei da transparência | Estatuto Editorial Politica Privacidade