Tomás Paçó ilumina e o Sporting conquista a Supertaça
O Sporting CP conquistou a Supertaça de Futsal Placard ao vencer o SL Benfica por 3-2, após prolongamento, no Pavilhão de Desportos de Vila do Conde, numa reedição da última final da Liga — desta vez com desfecho favorável aos leões. Depois de um tempo regulamentar equilibradíssimo, muito físico e resolvido no 1-1, foi na negra dos cinco minutos extra que a equipa de Nuno Dias mostrou maior frieza para dar a volta e arrebatar o troféu ao bicampeão nacional, juntando-o à conquista recente do Masters.
O jogo entrou intenso e partido, com muitas faltas e cartões desde cedo. Logo ao minuto 5, Kutchy viu amarelo e ameaçou a baliza leonina, mas o Sporting foi crescendo e, ao minuto 8, Bernardo Paçó, em funções de guarda-redes subido, atirou fortíssimo para fora. A agressividade era a nota dominante — Merlim (10'), Raúl Moreira (11') e Rocha (15') foram surgindo no capítulo disciplinar —, e o marcador acabou por abrir a favor dos leões. Ao minuto 16, Rocha serviu Tomás Paçó e o fixo leonino inaugurou o marcador: 0-1. Pouco depois, ao minuto 17, Tomás Paçó ainda acertou com estrondo no poste, num momento de claro ascendente verde e branco.
O Benfica, porém, respondeu de imediato. Ao minuto 19, Rúben Góis assistiu Afonso Jesus para o 1-1, num lance que o Vídeo Suporte analisou — por alegada falta de Rúben Góis sobre Wesley no gesto de pivô — mas acabou por validar. Ao intervalo, o equilíbrio traduzia-se no empate a uma bola.
A segunda parte seguiu o guião da primeira: muita luta, intensidade elevada e o Vídeo Suporte novamente protagonista. Ao minuto 29, os árbitros reviram um alegado penálti para o Sporting e, entendendo que ambos os jogadores puxavam, mostraram amarelo a Carlos Monteiro e a Bruno Maior. E ao minuto 30, num momento crucial, Carlos Monteiro chegou a fazer o 2-1, mas o Vídeo Suporte anulou o golo por toque com o braço, mantendo a igualdade. O jogo prosseguiu sem dono, com Rúben Teixeira e Felipe Rufino a desperdiçarem do lado leonino e Pany Varela a rondar o segundo poste pelo Benfica. Aos 40 minutos, o 1-1 levava a Supertaça para prolongamento.
E foi no tempo extra que o Sporting fez a diferença. Depois de André Correia negar Rúben Teixeira ao minuto 42, os leões deram o golpe ao minuto 44: Wesley cortou uma ação encarnada e atirou de imediato para colocar o Sporting na frente — 1-2. Pior ainda para o Benfica, pois ao minuto 45, ainda antes do intervalo do prolongamento, Felipe Valério ampliou para 1-3.
Obrigado a arriscar tudo, o Benfica passou a jogar em 5x4, com guarda-redes avançado, logo no arranque da segunda parte do prolongamento. A aposta ainda deu esperança ao minuto 47, quando Pany Varela trocou as voltas a Wesley e atirou colocado ao ângulo superior direito para o 2-3. Mas, a partir daí, foi Wesley quem se transformou em herói defensivo, cortando repetidamente as saídas do 5x4 encarnado (aos 48' e aos 50'), enquanto Bernardo Paçó travava o bis de Pany. O Benfica atirou-se em busca do empate, sem sucesso, e o apito final confirmou a festa leonina.
Foi um triunfo de enorme carácter e maturidade do Sporting CP, que soube gerir a tensão de um jogo áspero, resistiu no momento de maior equilíbrio e foi implacável quando o prolongamento pediu decisões. A equipa de Nuno Dias tira assim uma desforra saborosa da derrota na final da Liga e arranca a época a somar troféus. Já o SL Benfica, apesar de ter empatado por mérito e de ter criado argumentos para discutir o resultado, pagou caro a quebra no início do prolongamento e o golo anulado a Carlos Monteiro, que poderia ter mudado o rumo da final. Uma derrota que em nada belisca o estatuto do bicampeão, mas que deixa o troféu em Alvalade.
Figura do Jogo: Tomás Paçó (Sporting CP)
O fixo leonino foi o jogador mais influente da final. Inaugurou o marcador ao minuto 16, após assistência de Rocha, e pouco depois acertou com estrondo no poste, num período de claro ascendente leonino. Sempre presente na criação e determinante na leitura defensiva de um jogo áspero, Tomás Paçó voltou a confirmar-se como peça fundamental da equipa de Nuno Dias, dando o mote para a conquista da Supertaça. Menção para Wesley, autor do golo que quebrou o empate no prolongamento e decisivo a cortar as ações do 5x4 encarnado, e para Felipe Valério, que fez o 1-3.