Estreia de gala: leões dão cartão de visita no Masters 2026 e vencem Palma Futsal
O Sporting CP não deu hipóteses ao Illes Balears Palma e venceu de forma categórica por 5-2, no jogo de abertura do Record Internacional Masters Futsal 2026, perante quase dois mil adeptos na Arena de Portimão. Numa reedição da final da Champions de 2025 — na altura com triunfo leonino por 2-0, em Pesaro —, o atual campeão europeu voltou a impor a sua lei, com uma primeira parte de altíssimo nível que praticamente fechou o encontro logo ao intervalo, alcançado com um confortável 4-1.
Com ambos os treinadores a apostarem em cincos iniciais sem pivô, o Sporting entrou avassalador. Logo aos 32 segundos, Diogo Santos — MVP da edição de 2025 — surpreendeu na pressão alta, roubou a bola após mau passe de Deivão na construção e, na cara de Barrón, desviou com classe para o 1-0. O arranque de sonho não abalou de imediato os espanhóis, que ao minuto 5 empataram: num passe aéreo para as costas de Merlim, Bernardo Paçó falhou o corte na cobertura e Charuto atirou para a baliza deserta — 1-1.
A igualdade, porém, durou apenas trinta segundos. Ainda ao minuto 5, o capitão Alex Merlim rematou pela esquerda e colocou a bola rasteira ao primeiro poste, surpreendendo Barrón para o 2-1. O Sporting estava lançado e, ao minuto 7, Tomás Paçó pressionou na primeira linha, roubou a bola e fez o 3-1 que dava expressão justa ao domínio leonino.
A imagem de marca da equipa de Nuno Dias — a pressão alta e o "atacar sem bola" — voltou a ser decisiva ao minuto 11. Tomás Paçó roubou novamente a bola na construção de um Palma aflito a sair a jogar, ficou isolado na esquerda, ameaçou o remate, atraiu o guarda-redes e serviu Rúben Teixeira ao segundo poste para o 4-1. Vadillo reagiu de imediato, pediu pausa técnica e trocou na baliza, com Dennis Cavalcanti a render o capitão Barrón. Com o Palma a atingir a quinta falta ao minuto 14 e a baixar linhas, o Sporting geriu com critério, variando entre o 3:1, o 4:0 e o guarda-redes aberto/subido, e não deixou o adversário respirar até ao intervalo.
A segunda parte foi mais controlada e menos vibrante em ocasiões, com o jogo mais longe dos dez metros e do corredor central. O Sporting, que lançou o reforço ucraniano Sukhov na baliza e rodou amplamente o plantel, geriu a vantagem apoiado nos esquemas táticos e nas superioridades criadas pelo guarda-redes avançado. Ao minuto 31, num raro senão, chegou o 4-2: Sukhov perdeu a bola na condução ao passar o meio-campo, Carlos Gomez aproveitou o roubo e, na tentativa de assistir ao meio, Wesley cortou no limite mas desviou para a própria baliza, num autogolo.
O Sporting não se descompôs e fechou as contas em beleza. Ao minuto 35, num contra-ataque de manual, dois contra um a acelerar pelo meio, Felipe Rufino atacou o defensor e serviu Bruno Pinto, que fez o 5-2 e selou o triunfo. Já sem efeito no resultado, a habitual marcação de grandes penalidades para efeito de desempate do torneio sorriu ao Palma (4-5).
Foi um triunfo sem margem para dúvidas do Sporting CP, que confirmou o estatuto de campeão europeu com uma exibição de qualidade, intensidade e maturidade tática. A pressão alta esteve na origem de três dos cinco golos e o sistema 4:0 de Nuno Dias mostrou-se cada vez mais afinado, com dinâmica na largura e bloqueios diretos ("pick and roll") de qualidade a gerar variabilidade ofensiva. Já o Illes Balears Palma, desfalcado e em fase de rodagem, pagou caro as dificuldades na saída de bola e a fragilidade perante a pressão adversária, saindo de Portimão com uma pesada derrota na estreia. O Sporting lidera assim o torneio e prepara já o duelo com o Jimbee Cartagena; o Palma tentará reerguer-se frente ao Benfica.
Figura do Jogo: Tomás Paçó (Sporting CP)
O fixo leonino foi o motor da exibição de gala do Sporting. Marcou o 3-1 na sequência de mais um roubo de bola na pressão alta e, pouco depois, foi ele a desmontar a defesa espanhola para assistir Rúben Teixeira no 4-1. Incansável no "atacar sem bola" e determinante na transição, Tomás Paçó personificou a intensidade que faz do futsal português uma imagem de marca. Menção para Diogo Santos, autor do golo mais madrugador, e para Alex Merlim, sempre influente na capitania.