Sporting resiste à reviravolta do Palma e conquista o Troféu Ciutat de Manacor nos penáltis
O Sporting conquistou o Torneig Ciutat de Manacor – Memorial Miquel Jaume numa partida de enorme oscilação emocional e competitiva, em que chegou ao 0-3, permitiu ao Illes Balears Palma Futsal uma recuperação até ao 4-3 e encontrou ainda capacidade para voltar ao jogo antes de vencer por 5-4 nas grandes penalidades, após o empate a quatro no final dos 40 minutos.
O reencontro entre os dois conjuntos, numa reedição da final da última UEFA Futsal Champions League, proporcionou um duelo equilibrado no Poliesportiu Miquel Àngel Nadal, em Manacor. O encontro marcou também o primeiro teste de pré-temporada do conjunto orientado por Antonio Vadillo.
O Palma procurava assumir bola e instalar-se em organização ofensiva, mas foi o Sporting quem aproveitou primeiro um erro adversário. Aos 6 minutos, Bruno Pinto castigou uma perda na saída de bola e colocou o 0-1, dando à equipa de Nuno Dias o cenário que melhor lhe permitia gerir espaços e escolher os momentos de aceleração.
O Palma reagiu com maior presença ofensiva. Carlos Gómez ameaçou num livre e Charuto esteve perto de encontrar o empate, mas o Sporting conseguiu manter segurança defensiva e continuou a criar perigo sempre que recuperava e acelerava. Já perto do intervalo, Dennis teve de responder com duas intervenções importantes para evitar o segundo golo leonino.
Ao descanso, o 0-1 traduzia sobretudo a diferença na eficácia: o Palma tinha conseguido crescer com bola, mas o Sporting tinha sido mais competente a transformar o erro adversário em vantagem.
A entrada na segunda parte mudou completamente a dimensão do jogo. Aos 22 minutos, Diogo Santos marcou por duas vezes praticamente de seguida. Primeiro fez o 0-2 e, momentos depois, recuperou uma bola perto da área espanhola e voltou a finalizar para o 0-3. Em poucos segundos, o Sporting transformava uma vantagem mínima num resultado que parecia colocar o encontro sob controlo.
Mas o Palma respondeu precisamente quando o jogo ameaçava fugir.
Charuto reduziu aos 24 minutos e devolveu energia à equipa espanhola. Um minuto depois, Alisson Neves recebeu de costas, ganhou o espaço na rotação e bateu Bernardo Paçó para fazer o 2-3. O Sporting perdeu algum controlo sobre as segundas bolas e o Palma passou a atacar com outra confiança, mais gente por dentro e maior velocidade na circulação.
A recuperação tornou-se completa aos 30 minutos, quando Carlos Gómez fez o empate. Dois minutos depois, uma combinação coletiva ao primeiro toque encontrou Fabinho em zona de finalização e o Palma chegou ao 4-3. Em apenas oito minutos, a equipa espanhola marcou quatro golos consecutivos e transformou um jogo que parecia encaminhado para o Sporting numa verdadeira prova de resistência competitiva.
A resposta leonina surgiu no momento em que o jogo mais exigia clareza. Nuno Dias pediu tempo morto aos 34 minutos e, na sequência de uma situação de bola parada, Diogo Santos apareceu ao segundo poste para fazer o 4-4 e completar o hat-trick. O Sporting não conseguiu impedir a avalanche do Palma, mas teve capacidade para sobreviver-lhe e voltar ao jogo antes que a reviravolta se tornasse definitiva.
Os minutos finais foram de maior contenção. Nenhuma das equipas voltou a encontrar vantagem e o troféu seguiu para a marca dos seis metros.
Nos penáltis, o Sporting transformou pressão em precisão. Bruno Pinto, Rocha, Bernardo Paçó, Diogo Santos e Felipe Valério converteram os cinco remates leoninos. Do lado do Palma, Ernesto, Fabinho, Carlos Gómez e Nunes também marcaram, mas Deivão falhou o único pontapé da série. Coube depois a Felipe Valério fechar o 5-4 e entregar o troféu ao Sporting.
O encontro deixou duas imagens fortes. A primeira foi a capacidade do Palma para não desaparecer depois de um 0-3, respondendo com quatro golos consecutivos e alterando por completo o controlo emocional da partida. A segunda foi a resposta do Sporting depois de perder essa vantagem: os leões suportaram o pior momento, encontraram o empate e foram perfeitos quando o jogo passou a depender exclusivamente da execução.
O Sporting sai de Manacor com o troféu e com um teste de pré-temporada de enorme exigência competitiva. Não controlou todos os momentos, sofreu quando o Palma aumentou o ritmo, mas mostrou capacidade para continuar dentro do jogo mesmo quando o contexto lhe foi totalmente desfavorável.
Figura da Partida — Diogo Santos (Sporting)
Determinante nos momentos em que o jogo mudou de direção. Três golos, presença constante nas zonas de finalização e um penálti convertido na decisão final. Foi ele quem ampliou a vantagem leonina no arranque da segunda parte e também quem apareceu quando o Palma já tinha completado a reviravolta.
Num encontro de oito golos, mudanças bruscas de domínio e enorme carga emocional, Diogo Santos foi a referência ofensiva e competitiva do Sporting, assumindo o jogo quando a equipa mais precisava de uma resposta.