2º Jogo: SPORTING CP vs SL BENFICA - No Covil do leão entre a eficácia e a reacção. Antevisão de António Aires



O primeiro assalto sorriu às águias, mas os números e o próprio jogo mostram que esta final está longe de ter dono. O leão regressa ao seu pavilhão consciente de que produziu o suficiente para vencer na Luz.

Vejamos: Os números ajudam a perceber o equilíbrio que tem marcado este ciclo recente do dérbi. Recordamos mais uma vez, que esta época, as duas equipas já mediram forças por sete ocasiões, com ligeira vantagem encarnada: quatro vitórias do Benfica, dois triunfos do Sporting e um empate. No entanto, a distribuição dos títulos mostra que a superioridade não tem sido contínua nem unidireccional: os leões conquistaram a Supertaça e afastaram as águias na UEFA Futsal Champions League, enquanto o Benfica respondeu vencendo a Taça da Liga e a Taça de Portugal. E já se sabe que o ciclo continuará, uma vez que ambos têm presença assegurada na Champions de 2026/27 e abrirão a próxima temporada precisamente frente a frente, na Supertaça.

Também os dados acumulados destes sete dérbis reforçam a enorme proximidade competitiva: o Sporting esteve em vantagem durante 106 minutos, o Benfica durante 104, tendo o marcador permanecido empatado durante 70 minutos. Marcaram-se 49 golos, uma média superior a sete por encontro, repartidos por 22 marcadores diferentes. Os melhores goleadores deste ciclo são Tomás Paçó, com cinco golos, e Lúcio Rocha, com quatro, seguindo-se Arthur, Pany Varela, Jacaré, Alex Merlim, Bruno Pinto e Diogo Santos, todos com três.

Os números do jogo 1: domínio leonino, eficácia encarnada

Se o resultado final deu vantagem ao Benfica, a análise estatística do primeiro encontro conta uma história ligeiramente diferente. O Sporting terminou a partida com 52 finalizações contra 31 do adversário, produziu mais volume ofensivo e criou situações suficientes para discutir outro desfecho. No entanto, a eficácia foi determinante: os leões marcaram apenas uma vez em 52 tentativas (2% de eficácia), enquanto o Benfica transformou dois dos seus 31 remates em golo (6%).

A explicação encontra-se, em grande parte, na exibição de Léo Gugiel. O guardião encarnado foi a grande figura da partida, enfrentando 33 remates, realizando nove defesas e assumindo ainda um papel fundamental na construção ofensiva, nomeadamente no lance do primeiro golo, onde ele e Lúcio construíram a ação ofensiva.

No plano individual, Zicky Té voltou a ser um dos jogadores mais procurados pela equipa, terminando com nove remates, mas sem conseguir marcar, enquanto Felipe Valério, autor do golo leonino, também registou nove tentativas de finalização. Pelo Benfica, Diego Nunes foi o jogador mais rematador, com oito remates e um golo, confirmando a maior objectividade encarnada.

Há ainda um conjunto de dados históricos que acrescenta interesse a este segundo capítulo da final. Esta é a 21ª edição do play-off do campeonato nacional, competição em que Benfica e Sporting estiveram presentes em todas as temporadas. Historicamente, quem termina a fase regular no primeiro lugar acaba campeão, aconteceu em 17 das 20 ocasiões, e quem vence o primeiro jogo da final conquista o título em 18 dessas 20 edições.

Contudo, há um contraponto importante: em 14 dos 20 play-offs, a final esteve empatada 1-1 após o segundo jogo. Isto significa que o encontro do João Rocha pode redefinir completamente a eliminatória e devolver a série a um cenário de absoluto equilíbrio.

A história dos dérbis também aconselha prudência a qualquer previsão. Desde dezembro de 2001 já se realizaram 156 confrontos oficiais entre Benfica e Sporting, uma média superior a seis por temporada. Nunca houve um empate a zero e, curiosamente, na era Nuno Dias o Sporting nunca ficou em branco frente ao rival. O facto de os leões terem marcado apenas uma vez na Luz constitui, por isso, uma exceção estatística e não propriamente uma tendência. Aliás, olhando para o que produziram ofensivamente no jogo 1, é difícil imaginar uma equipa de Nuno Dias voltar a criar tanto e concretizar tão pouco.

Por isso, o jogo 2 coloca frente a frente duas realidades distintas: um Benfica moralizado pela vantagem na final e pela eficácia demonstrada na Luz, e um Sporting que sabe que perdeu, mas que também percebe que os indicadores de produção ofensiva e o factor casa lhe dão argumentos sólidos para empatar a série. Será que o Benfica consegue voltar a resistir a um volume ofensivo leonino tão elevado? Ou assistiremos ao regresso dos protagonistas habituais, com Zicky Té e Merlim a traduzirem em golos aquilo que no jogo 1 foi apenas domínio territorial? Afinal, não é todos os dias que uma equipa remata 52 vezes e sai derrotada.

Concluindo, jogar-se-á a capacidade de reacção de um campeão europeu ferido, a ambição de um campeão nacional que quer defender a sua coroa e, acima de tudo, mais um capítulo de uma rivalidade que há muito ultrapassou as fronteiras do futsal português. Tudo aponta para mais uma noite de emoções fortes, pavilhão cheio e detalhes a decidirem destinos.

As estatísticas, os modelos de jogo e os números ajudam a contar a história. Mas quando a bola começa a rolar, tudo se resume a coragem, talento e capacidade para decidir sob pressão. E é precisamente nesses momentos que se constroem os campeões.

Que se abram as cortinas. O dérbi eterno está de volta. Take 2! Ação!!!

Viva, o Futsal.

Antevisão de António Aires


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