Sporting recebe Benfica "obrigado" a vencer para forçar empate na final do Placard



O Pavilhão João Rocha recebe o Jogo 2 da final da Liga Placard, num momento alto da temporada do futsal nacional. Depois da vitória do SL Benfica por 2-1 no Jogo 1, disputado este passado 12 de junho, os leões de Nuno Dias entram em campo perante os seus adeptos com uma única missão: vencer para igualar a eliminatória a uma vitória. Os encarnados de Cassiano Klein, por seu turno, querem aproveitar a primeira oportunidade fora de portas para dar um passo de gigante rumo ao título nacional, com o objetivo claro de regressar à Luz a vencer por 2-0.

A estatística histórica coloca pressão evidente sobre os comandados de Nuno Dias. Em 18 dos 20 playoffs já disputados, o vencedor do Jogo 1 sagrou-se Campeão Nacional, um número que evidencia o peso decisivo do triunfo encarnado no encontro inaugural. Ainda assim, há também alento no historial recente: em 14 das 20 finais, a eliminatória ficou empatada a uma vitória após o Jogo 2, ou seja, em 70% das ocasiões, foi possível à equipa derrotada na estreia restabelecer o equilíbrio na segunda partida. O Sporting agarra-se a esse precedente, sabendo que jogar em casa pode fazer toda a diferença.

A final da Liga Placard 25/26 é a 21.ª edição em formato de playoff. Benfica e Sporting voltam a encontrar-se no jogo decisivo pelo título, num cenário recorrente do futsal português contemporâneo: esta é a 16.ª final que termina em dérbi, com vantagem leonina nesse cruzamento direto, fruto de 9 títulos para o Sporting contra 6 para o Benfica. A história aponta também que apenas 2 finais foram decididas por 3-0, pelo que tudo indica que a eliminatória terá pelo menos três jogos, com fortes probabilidades de chegar ao quinto e decisivo encontro, cenário que se verificou em 5 das 20 finais anteriores.

O dérbi do Pavilhão João Rocha será o oitavo da temporada 25/26, num historial muito equilibrado entre as duas equipas durante o ano. Nos sete dérbis já realizados, o Benfica leva ligeira vantagem: 4 vitórias do SLB, 1 empate e 2 vitórias do Sporting. Em termos de minutos em vantagem nos sete jogos, o Sporting esteve à frente do marcador durante 106 minutos, o Benfica durante 104 e o empate vigorou em 70 minutos, números reveladores da paridade vivida no confronto direto. Foram 49 golos distribuídos por 22 marcadores diferentes, com Tomás Paçó (5 golos) e Lúcio (4 golos) a destacarem-se na corrida pelo melhor goleador, seguidos por um amplo lote de jogadores empatados com 3 golos cada: Arthur, Pany, Jacaré, Merlim, B. Pinto e Diogo Santos. Os dois sectores ofensivos mostram-se variados, sem dependências exclusivas.

Importa ainda recordar que desde o primeiro dérbi disputado em 23 de dezembro de 2001, já se realizaram 156 confrontos diretos entre as duas equipas, numa média de 6,2 por época. E nunca um dérbi terminou empatado a 0-0, com a curiosidade adicional de que o Sporting de Nuno Dias (desde 12/13) nunca ficou em branco frente ao Benfica. Por seu lado, o Benfica não marcou em 6 desses dérbis e o Sporting em apenas 2, o que reforça a expectativa de uma noite com golos no João Rocha.

A temporada 25/26 vai dividir os troféus principais entre os dois colossos. O Sporting CP já conquistou a Supertaça e a Champions League, em ano de glória continental. O SL Benfica venceu a Taça de Portugal e a Taça da Liga. Falta agora distribuir o título de Campeão Nacional, o mais cobiçado de todos. Em jogo está também o domínio do ranking histórico: o Sporting soma 19 títulos de Campeão Nacional, contra 9 do Benfica, ainda que, desde a entrada dos encarnados na competição em 2001/02, o registo seja de 13 títulos para o Sporting, 9 para o Benfica e 1 para o Freixieiro.

No banco encarnado, Cassiano Klein procura o seu primeiro título de Campeão Nacional no comando do SL Benfica e desafia o ainda dominante Nuno Dias, treinador mais titulado da história da prova, com 9 títulos de Campeão Nacional (uns absolutos 6 a mais do que Adil Amarante, terceiro classificado da lista histórica). Os dérbis entre Nuno Dias e Cassiano Klein desde 24/25 totalizam 16 encontros, com 6 vitórias do Benfica, 4 empates e 6 vitórias do Sporting, equilíbrio absoluto. A final é também esse pulso entre dois técnicos que se conhecem cada vez melhor.

Entre os jogadores, João Matos lidera os totalistas com 12 títulos de Campeão Nacional, seguido por Gonçalo Alves (10) e Gonçalo Portugal (10), com João Benedito (9) e Pedro Costa, Pany Varela, Deo e Djô, todos com 8 a completar a lista dos atletas mais condecorados.

O Jogo 2 da Final da Liga Placard carrega assim o peso de uma decisão antecipada. Para o Sporting, vencer é obrigatório e qualquer outro resultado deixaria a luta pelo título num cenário historicamente quase impossível de inverter. Para o Benfica, há a oportunidade de dar um passo gigantesco rumo ao 10.º título de Campeão Nacional, que igualaria o registo de Gonçalo Alves e Gonçalo Portugal nas conquistas individuais. O João Rocha promete encher e o futsal nacional volta a estar de parabéns.

Tudo está em aberto. A Liga Placard 25/26 ainda não tem dono e o Pavilhão João Rocha pode mudar (ou confirmar) a história.


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