Nuno Dias: "Não foi falta de sorte, foi falta de competência na finalização"



Apesar da derrota por 2-1 frente ao SL Benfica no primeiro jogo da final da Liga Placard 2025/2026, Nuno Dias recusou atribuir o resultado ao azar ou à falta de sorte. Na análise ao encontro disputado no Pavilhão Fidelidade, o treinador do Sporting CP apontou a ineficácia na finalização como o principal motivo para o desaire leonino, destacando que a sua equipa criou mais oportunidades, finalizou o dobro das vezes do que o adversário, mas não conseguiu traduzir essa superioridade em golos.

Questionado sobre a exibição da equipa e sobre os aspetos positivos a retirar para o segundo jogo da final, Nuno Dias foi direto na resposta.

"Não foi pouca sorte. Foi falta de competência na hora de finalizar. O Sporting teve o dobro das finalizações do Benfica e, em 44 finalizações, acertar apenas nove vezes na baliza é demasiado curto para uma equipa que quer ser campeã nacional."

"Temos de ser mais eficazes e temos de obrigar o guarda-redes a defender. O Benfica finalizou metade das vezes que nós e acertou mais vezes na baliza. Não há milagres. Quem desperdiça da forma como nós desperdiçámos tem poucas hipóteses de ganhar os jogos."

Apesar do resultado negativo, o técnico leonino considerou que a equipa teve vários aspetos positivos durante os 40 minutos.

"Defendemos bem, atacámos bem e criámos muito. Criámos oportunidades de todas as formas possíveis, mas não marcámos. O Benfica marcou e venceu."

"As coisas positivas que retiramos deste jogo são a forma como conseguimos criar oportunidades, dominar alguns momentos da partida e produzir mais situações de golo do que o adversário. Isso é algo que temos de continuar a fazer."

Nuno Dias reconheceu, contudo, que a eficácia continua a ser o fator decisivo.

"Enquanto não percebermos que esse é o aspeto mais importante do jogo vamos continuar a ter resultados destes. Espero que a equipa melhore e vamos fazer tudo para que as coisas sejam diferentes no próximo jogo."

Perante uma questão sobre a forma de trabalhar a finalização numa altura decisiva da época, o treinador admitiu que existem fatores impossíveis de reproduzir em treino.

"Cabe-nos treinar. Não há muito mais a fazer. Claro que melhoramos os gestos técnicos e as situações de finalização, mas o treino não reflete a emoção de uma final, o cansaço ou a qualidade do adversário que temos pela frente."

"Há aspetos emocionais que são muito difíceis de treinar. O que podemos fazer é reforçar a importância da eficácia e recordar constantemente aos jogadores que esse é o fator que decide quem ganha e quem perde."

Questionado sobre a ideia de que o Sporting foi especialmente dominador apenas nos minutos finais, Nuno Dias discordou da leitura e defendeu que a sua equipa foi superior em vários momentos da partida.

"O Sporting que pode ser campeão foi o que jogou durante os 40 minutos. Se me dizem que o melhor Sporting foi apenas dos 34 aos 40 minutos, isso significa que o Benfica dominou os restantes 34, e isso é falso."

"O Sporting não foi inferior ao Benfica durante os primeiros 34 minutos. Pode ter acontecido que nos minutos finais tenhamos sido muito melhores do que aquilo que é normal num Benfica-Sporting, mas ao longo do jogo criámos mais oportunidades, finalizámos o dobro das vezes e não tivemos competência para marcar."

Ainda assim, o treinador reconheceu mérito ao adversário.

"O Benfica foi mais eficaz, foi melhor em momentos importantes do jogo e marcou quando tinha de marcar. Nós não fomos competentes nesse aspeto. O Benfica está na frente da eliminatória com todo o mérito."

Já sobre o facto de o próximo encontro ser o oitavo clássico da temporada entre as duas equipas, Nuno Dias admitiu que há cada vez menos espaço para surpreender.

"Cada vez há menos coisas para esconder. Os jogos acabam por ser decididos pelos duelos individuais, pelas decisões e pela eficácia nos momentos-chave."

"Há sempre um ou outro ajuste que podemos fazer, mas não há tempo para criar grandes surpresas ou fazer magia. Existem pequenos retoques, mas acima de tudo temos de ser mais eficazes."

A encerrar a conferência, o treinador leonino voltou ao tema que marcou toda a sua análise ao encontro.

"Os números falam por si. O número de oportunidades que criámos fala por si. O número de vezes que estivemos na cara do guarda-redes fala por si. Se não marcarmos, vamos continuar a ter este discurso mais vezes. Espero sinceramente que isso não aconteça."

Com a derrota no Pavilhão Fidelidade, o Sporting fica obrigado a vencer o segundo jogo da final, marcado para terça-feira no Pavilhão João Rocha, para evitar que o Benfica aumente a vantagem na série e fique a apenas um triunfo da conquista do título nacional.


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