Lúcio abriu, Diego decidiu: Benfica derrota Sporting na Luz
O SL Benfica entrou da melhor forma na final da Liga Placard 2025/2026 ao vencer o Sporting CP por 2-1, esta sexta-feira, no Pavilhão Fidelidade, colocando-se em vantagem numa série disputada à melhor de cinco jogos. Em mais um capítulo daquele que é considerado "o melhor derby do mundo do futsal", com Cassiano Klein e Nuno Dias novamente frente a frente, foram a eficácia encarnada e uma exibição monumental de Léo Gugiel a desequilibrar um clássico intenso, equilibrado e jogado a um ritmo elevadíssimo. As águias chegavam a esta decisão após uma caminhada imaculada, ao afastarem o CR Leões Porto Salvo em apenas dois jogos, enquanto o Sporting, fresco da conquista da sua 3.ª UEFA Futsal Champions League, precisou de uma exigente meia-final a três jogos para ultrapassar o SC Braga.
A final não podia ter começado de forma mais favorável para os encarnados. Logo no primeiro minuto, com o guarda-redes subido, Léo Gugiel avançou no terreno e assistiu Lúcio Rocha, que aproveitou um escorregão de Pauleta para ganhar espaço e disparar do meio da rua para o fundo das redes, num lance mal abordado por Bernardo Paçó: 1-0 de início.
A resposta leonina foi imediata e podia ter valido o empate poucos segundos depois, já no segundo minuto, quando Zicky inventou um passe de calcanhar absolutamente brilhante que deixou Pauleta isolado perante Gugiel, mas o pivot desperdiçou de forma incrível ao rematar ao lado. No mesmo lance surgiu a primeira preocupação para o Benfica: André Coelho caiu mal e ficou com dificuldades no ombro direito.
Pouco depois, ao terceiro minuto, Pauleta voltou a aparecer na cara de Gugiel, mas desta vez foi o guardião encarnado a levar a melhor. Na sequência imediata, Alex Merlim disparou um livre muito forte e acertou em cheio na barra, num dos lances mais marcantes desta fase. A intensidade do jogo era inacreditável, com parada e resposta de ambos os lados.
Perto da marca dos dez minutos, André Coelho voltou a deixar-se cair, novamente agarrado ao ombro e sem aparentar condições para continuar. À passagem do minuto 12, Tomás Paçó protagonizou uma grande arrancada, passou por dois adversários e rematou já perante Gugiel, com a bola a sair à malha lateral.
A meio da primeira parte surgiu o lance mais discutido do encontro. Por volta dos 15 minutos, Jacaré viu o cartão amarelo e o Vídeo Suporte foi chamado a analisar uma possível mão na área. Após revisão, o árbitro não assinalou penálti, por entender que o braço do jogador encarnado estava junto ao corpo — decisão que pareceu acertada.
Na resposta, e depois de o Benfica pedir pausa técnica, Wesley surgiu em grande posição frontal mas rematou ao lado. Volvidos dois minutos, o Sporting esteve muito perto do empate: Pauleta obrigou Gugiel a uma defesa apertada e, na recarga, Zicky viu o desvio cortado. Já no minuto 19, após nova pausa técnica pedida pelos leões, Zicky voltou a não conseguir marcar, com Gugiel a defender mais um desvio no coração da área. Ao apito para o intervalo, o Benfica vencia por 1-0, ainda que o Sporting tivesse criado argumentos para discutir outro resultado.
Recomeçada a partida, o Benfica surgiu mais confortável na gestão dos ritmos. Pouco depois do reatamento, Felipe Valério viu o cartão amarelo e, no mesmo lance, André Coelho testou Bernardo Paçó de livre, com o guarda-redes leonino a responder bem. À passagem dos 25 minutos, Diego Nunes esteve perto do golo num desvio que quase resultou em autogolo de Tomás Paçó e, instantes depois, recuperou a bola, isolou-se, mas viu o remate ser defendido. Nesta fase, o Sporting evidenciava muitas dificuldades em construir os seus lances de ataque.
Perto da meia hora de jogo, os leões voltaram a ameaçar: Zicky apareceu isolado e tentou contornar Gugiel, mas o guardião encarnado brilhou com uma defesa no chão, e ainda houve tempo para Bernardo Paçó quase fazer um golaço quase do meio-campo. E foi então, ao minuto 29, que chegou o golo que marcou a partida: Higor de Souza descobriu Diego Nunes, que disparou uma autêntica bomba diagonal, sem qualquer hipótese para Bernardo Paçó: 2-0.
A reação encarnada continuou. Logo a seguir, Tomás Paçó foi novamente lançado e encontrou outra vez Gugiel pela frente, enquanto Silvestre Ferreira rematou ao poste, com o Benfica perto de fechar o jogo. Na meia hora seguinte de relógio, o Sporting insistiu: Bernardo Paçó obrigou Gugiel a mais uma defesa, Zicky rodou e atirou por cima e, instantes depois, acertou na barra. A seis minutos do fim, o capitão leonino voltou a ganhar espaço mas esbarrou de novo num impressionante Gugiel.
Com o Sporting cada vez mais a recorrer ao guarda-redes subido, ainda com Bernardo Paçó na baliza, a insistência acabou por dar frutos. Numa reposição lateral de Wesley, Felipe Valério aproveitou uma distração de Higor para reduzir para 2-1, relançando por completo a discussão do encontro. Pouco depois, Zicky teve tudo para empatar mas atirou por cima, na melhor ocasião dos leões.
Na reta final, o Sporting apostou definitivamente no 5x4, com jogador de campo a vestir a camisola de guarda-redes avançado. A escassos minutos do apito, após nova pausa técnica, Tomás Paçó quase ofereceu o golo a Bruno Pinto, mas surgiu um corte providencial. Já no derradeiro minuto, em transição, Arthur fez um túnel a um adversário e só não marcou porque Bernardo Paçó respondeu com uma grande defesa. No último lance, o Vídeo Suporte analisou um possível penálti sobre Felipe Valério, mas nada foi assinalado, e o árbitro apitou para o final.
Foi um triunfo importante e justo do SL Benfica, que se mostrou mais eficaz nos momentos decisivos e contou com um guarda-redes em estado de graça para segurar a vantagem. Já o Sporting CP, apesar de ter criado inúmeras oportunidades, acertado duas vezes nos ferros e dominado largos períodos, acabou por pagar caro a enorme falta de eficácia perante um adversário extremamente competente. A série segue agora para o Pavilhão João Rocha, onde os campeões europeus procurarão responder e evitar que as águias aumentem a vantagem na corrida ao título nacional.
Figura do Jogo: Léo Gugiel (SL Benfica)
A distinção não oferece qualquer discussão. Além de assistir Lúcio Rocha no golo inaugural, o guarda-redes brasileiro somou um conjunto impressionante de defesas perante Pauleta, Zicky Té, Tomás Paçó e Bernardo Paçó. Sempre que o Sporting esteve por cima, foi Gugiel quem manteve o Benfica na frente, marcando a diferença no desfecho de uma final decidida ao detalhe.