"O carácter que nós contratámos e a equipa que construímos revelou-se" — Joel Rocha



Joel Rocha, treinador do SC Braga, fez um balanço extenso e analítico em conferência de imprensa, no final do Jogo 3 da meia-final do play-off do título da Liga Placard, em que o Sporting CP se impôs por 7-2 no Pavilhão João Rocha. Numa intervenção marcada pela honestidade e pela autocrítica, o técnico arsenalista refletiu sobre a temporada, o desempenho da equipa, a derrota desta noite e as ilações que retira do percurso bracarense.

Confrontado com a evidente diferença entre uma fase regular irregular e um play-off de outro nível, Joel Rocha explicou o que mudou no SC Braga.

"Em nós, procurámos durante toda a época melhorar a nossa consistência, procurar ser consistentes. Nós fomos sempre à procura das soluções para sermos uma equipa consistente, que tivesse qualidade nos 40 minutos, que fosse sempre muito competitiva, muito comprometida e muito focada na tarefa. É uma evidência que durante a fase regular nós tivemos momentos em que conseguimos e momentos onde não o conseguimos."

"Creio que no final da fase regular, nas últimas duas, três jornadas, nós fechávamos-nos em casa e tivemos conversas de adultos para perceber que terminada a fase regular e sendo terceiro classificado, o play-off era uma oportunidade para mostrar a nossa melhor versão, para mostrar a nossa melhor cara, para mostrar as nossas características, competências, capacidades e mostrar aquilo para o qual fomos construídos, que era lutar por finais e sermos uma equipa de qualidade de acordo com o jogo."

O treinador assumiu a irregularidade da fase regular, mas mostrou-se orgulhoso do play-off realizado pela equipa.

"Creio que a fase regular foi irregular. Creio que o play-off foi absolutamente brilhante. Nós fazemos seis jogos no play-off. Seis jogos sempre em crescendo. A melhor fase da época, o melhor rendimento individual e coletivo da época. E o play-off mostrou aquilo que nós queríamos e não conseguimos mostrar durante toda a fase regular. Creio que o play-off mostra uma equipa competitiva, uma equipa comprometida, uma equipa resiliente, acima de tudo resiliente."

Joel Rocha recordou o percurso da equipa nos quartos de final, frente ao Ferreira do Zêzere, destacando a capacidade de superação.

"Eu gostaria de destacar que nós perdemos o primeiro jogo do play-off com o Ferreira do Zêzere nos penaltis. Após esse dia, após essa derrota, o mundo do futsal fez-nos o funeral e a missa de sétimo dia. Nós no jogo 2 do play-off com o Ferreira do Zêzere, a dez minutos do fim, perdíamos em casa 3-1, ganhámos 4-3 e aí sobressai a resiliência e o confiar e o acreditar no que fazemos e na forma como nós trabalhamos e nos preparamos. Jogámos o jogo 3 com o Ferreira do Zêzere e perdíamos ao intervalo e mais uma vez nos 40 minutos conseguimos vencer com a resiliência, a confiar e acreditar naquilo que era o plano, a estratégia, a tarefa e as nossas qualidades e características. Conquistámos o direito de jogar a meia-final, foi por nós conquistado com estes ingredientes que acabei de dizer."

Sobre a meia-final em si, Joel Rocha analisou os três jogos com clareza, começando pelos dois primeiros encontros.

"Creio que no primeiro jogo da meia-final em casa do Sporting nós perdemos 4-2 e dois dos golos sofridos são em nossa posse e, portanto, erros não forçados que tínhamos que eliminar. Fizemos um jogo 2 no João Rocha na quinta-feira absolutamente brilhante onde fomos uma equipa completa, global, competitiva, resiliente que mostrou a sua melhor versão. Conquistámos o direito próprio pela vitória de jogar o jogo 3 da meia-final."

Sobre o desfecho da Negra, o treinador dividiu a análise em dois momentos, começando pela entrada do encontro.

"Hoje vou separar o jogo em dois momentos. O primeiro momento do jogo, a entrada, os primeiros minutos, o golo marcado e o sair na frente. Creio que esse golo nos deixou emocionados, nos deixou distraídos. Ficámos demasiado sensíveis do ponto de vista emocional com o golo marcado e o sair na frente e nós entrámos bem no jogo. De acordo com o plano definido, a estratégia planeada, entrámos muito bem. Fizemos o golo, saímos na frente, fizemos o golo de contra-ataque após defesa de canto. Num canto que o Sporting nos fez muito no jogo 2 e que nós melhorámos. Nós procurámos corrigir a defesa e de uma intersecção, no contra-ataque fazermos um zero."

"Creio que esse golo nos deixou distraídos, nos deixou demasiado emotivos. Nos minutos seguintes o Sporting dominou, controlou, ganhou mais duelos, foi mais agressivo, foi mais competitivo, foi mais rápido, foi mais intenso, foi mais objetivo. Nós nos minutos seguintes começámos a ficar passivos na bola parada defensiva, começámos a ficar mais longe do portador da bola, começámos a ficar mais distraídos na tarefa."

"O Sporting faz 3-1, nós ainda conseguimos fazer o 3-2 numa ação brilhante do Luís, não só na recepção, com rotação, como depois na finalização. E o Sporting faz 4-2. Reparemos que na primeira parte 4 golos do Sporting, um em ataque organizado, onde não controlamos o atacante dentro da nossa área, milésimos de distração posicional, que deu o golo do Zicky, e 3 golos de bola parada, que nos jogos anteriores nós tinhamos conseguido controlar. Umas vezes organizados, outras vezes solidários, mas sempre muito ativos, e hoje fomos, após o nosso primeiro golo, sempre demasiado reativos."

Sobre o intervalo e a segunda parte, Joel Rocha reconheceu a dificuldade de inverter a tendência.

"Ao intervalo, procurámos, acima de tudo, voltar a trazer muita razão para o jogo, a deixar a emoção de lado. Sentia a equipa, após sair na frente, demasiado emotiva. Creio que a primeira parte já não foi tão rigorosa e disciplinada conforme gostaríamos com o plano. E aí fomos, obviamente, penalizados porque nós, para encurtar as diferenças, temos que ser rigorosos e disciplinados todos os milésimos de segundo com o plano traçado, e durante a primeira parte já não fomos."

"Na segunda parte, enquanto o jogo esteve 4-2, penso que melhorámos, mas a partir do quinto golo, creio que o Sporting dominou e controlou o jogo, o resultado, todos os momentos. Nós corremos atrás e já não corremos com a mesma lucidez, com a mesma clarividência."

Joel Rocha reconheceu o mérito do adversário e da sua própria equipa.

"O Sporting é um justo vencedor e um justo finalista. O Braga é um digníssimo vencido, que acaba o play-off a mostrar a sua melhor versão, a sua melhor cara, sabendo que para encurtar diferenças, temos que estar todos totalmente focados, concentrados, disciplinados e rigorosos no plano, e hoje, infelizmente, isso não aconteceu."

O treinador deixou ainda duas notas finais sobre os seus jogadores e os adeptos do clube.

"Para terminar, a primeira reflexão, duas notas: um esforço brutal dos nossos jogadores, que se melhor não conseguiram, se melhor não fizeram, foi porque não conseguiram. E uma segunda nota para os nossos adeptos, que em nossa casa transformam a Arena em uma autêntica fortaleza e que fora de casa nos acompanham para todo o lado. Um agradecimento especial também para eles, que fazem-se sempre sentir presentes."

Numa segunda reflexão, sobre o sentimento que retira do percurso, Joel Rocha foi muito claro entre o orgulho e a desilusão.

"Creio que nestes seis jogos, nestas últimas quatro, cinco semanas, tinham que ter sido os primeiros dois meses da época. E fica-nos um sentimento de desilusão na medida da dimensão da nossa expectativa e ilusão, porque quando mostramos e sentimos que somos capazes de fazer isto nestes seis jogos, tínhamos que o ter conseguido fazer nos primeiros seis jogos da época."

"E nós, durante muito tempo, oscilámos, tivemos dúvidas na tarefa, tivemos distrações, não fomos regulares, não fomos consistentes. Portanto, estes últimos jogos mostram o Braga que nós queremos, que é um Braga que está para desafiar a lógica do futsal português, para jogar de frente com qualquer equipa, em qualquer pavilhão, preparadíssima para competir e poder vencer. Só que o Braga dos últimos seis jogos tinha que ter sido, e não foi o Braga dos primeiros seis jogos."

"Portanto, estou orgulhoso destes dois meses finais de época, onde também o normal seria o desligar, o desleixar, o descomprometer, o atirar a toalha ao chão, e isso não aconteceu. Portanto, isso revela também o carácter que nós temos, o carácter que nós contratámos e a equipa que nós construímos também se revelou agora. Ou seja, os últimos seis jogos revelaram características de equipa que quer ser uma grande equipa para ser uma equipa grande."

"Só que fizemos só isso nos últimos seis jogos, e devíamos ter feito nos primeiros seis, porque se tivéssemos feito isto nos primeiros seis, hoje estaríamos muito melhor preparados para estes jogos. E portanto, se mais e melhor agora não conseguimos, foi porque também numa fase inicial da época e durante muito tempo, não nos agarrámos a esta consistência, a esta capacidade, a esta assertividade, a esta afirmação, e faremos obviamente, como fizemos, esta reflexão para continuar a melhorar."


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