Os bastidores do caos: relatórios detalham os desacatos na final feminina



A Zona Técnica Futsal teve acesso aos relatórios elaborados pela equipa de arbitragem, delegado da Federação Portuguesa de Futebol e forças de segurança relativos aos incidentes que marcaram o segundo jogo da final da Liga Feminina Placard entre o GCR Nun'Álvares e o SL Benfica.

Os documentos confirmam que os desacatos tiveram origem após a expulsão de uma atleta do Benfica, quando faltavam 4 minutos e 19 segundos para o final do encontro.

Segundo o relatório de ocorrências da FPF, durante o percurso da jogadora em direção ao balneário verificou-se uma troca de palavras entre a atleta expulsa e adeptos afetos ao Nun'Álvares, não tendo sido possível apurar o conteúdo das expressões utilizadas.

Já com a jogadora recolhida aos balneários, o documento refere que adeptos afetos ao Benfica deslocaram-se em direção à bancada destinada aos adeptos do Nun'Álvares, situação que desencadeou confrontos físicos entre elementos das duas fações.

Perante o agravamento da situação, a equipa de arbitragem considerou que não estavam reunidas as condições de segurança para a continuação do jogo, ordenando a recolha das equipas aos balneários.

O encontro foi interrompido às 19h38m30s e apenas retomado às 20h04, após a chegada de elementos da GNR ao recinto e a reposição das condições de segurança.

Os relatórios revelam ainda que foi arremessado um isqueiro para o interior da quadra, proveniente da bancada afeta aos adeptos do Benfica. O objeto não atingiu qualquer interveniente nem provocou feridos.

Num outro documento, a equipa de arbitragem identifica um adepto do Nun'Álvares, descrito como Nelson Bravo Rodrigues, antigo elemento da estrutura técnica do clube fafense, como tendo adotado uma postura considerada provocatória na direção da atleta expulsa.

Na sequência desse comportamento, um adepto afeto ao Benfica terá abandonado o setor destinado aos adeptos encarnados e dirigido-se à bancada contrária, onde alegadamente agrediu aquele adepto, desencadeando o conflito generalizado.

Os relatórios indicam ainda que a GNR foi informada da existência de quatro indivíduos em fuga numa viatura nas imediações do recinto, alegadamente identificados pela equipa de segurança como intervenientes nas agressões.

O caso seguirá agora os trâmites disciplinares habituais, cabendo aos órgãos competentes da Federação Portuguesa de Futebol analisar toda a documentação recolhida e determinar eventuais sanções decorrentes dos acontecimentos registados em Fafe.

Os incidentes acabaram por marcar uma final que deveria ter ficado apenas recordada pelo espetáculo dentro da quadra, num momento que volta a colocar o tema da segurança nos recintos desportivos no centro do debate do futsal nacional.


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