Benfica sofre em Ponte de Sor, mas entra a vencer no play-off



O SL Benfica entrou a vencer nos quartos de final do play-off da Liga Placard, ao bater o Eléctrico FC por 3-4, num jogo muito mais difícil do que a classificação da fase regular poderia fazer prever. A equipa de Cassiano Klein, líder da fase regular, teve momentos de maior controlo, mas encontrou pela frente um Eléctrico competitivo, agressivo e capaz de discutir o resultado até aos últimos segundos.

A partida começou com sinal de perigo encarnado logo no primeiro minuto. Afonso Jesus acertou no poste, após uma jogada estudada, dando o primeiro aviso à baliza de Diogo Basílio. O Benfica entrou com mais bola, procurando usar a subida de Léo Gugiel para criar superioridade, mas o Eléctrico mostrou desde cedo que não iria limitar-se a defender.

Aos quatro minutos, Simi Saiotti aproveitou um erro enorme na construção do Benfica e tentou surpreender Gugiel com um chapéu, mas o guarda-redes encarnado levou a melhor. Do outro lado, Diogo Basílio começou a assumir protagonismo, travando remates de Léo Gugiel, Pany Varela e Carlos Monteiro.

O primeiro golo surgiu aos 9 minutos. Jacaré apareceu em zona frontal, rematou contra um defesa e, na recarga, Carlos Monteiro atirou forte para o 0-1. O Benfica colocava-se na frente, mas não conseguiu aproveitar o momento para controlar definitivamente o jogo.

Logo depois, aos 10 minutos, o Eléctrico ficou reduzido a quatro elementos, depois de Thiaguinho ver o segundo amarelo e consequente cartão vermelho numa falta com o jogo parado. O Benfica teve dois minutos em superioridade numérica, pediu pausa técnica para preparar os últimos segundos desse período, mas o Eléctrico defendeu-se com enorme organização e voltou a ter cinco jogadores sem sofrer.

Esse momento deu confiança à equipa da casa. Aos 13 minutos, a pressão alta do Eléctrico deu resultado: Samuel Silva recuperou em zona adiantada e serviu Telmo Sousa à boca da baliza, que encostou para o 1-1. O empate premiava a coragem da equipa de Ponte de Sor e deixava claro que o favorito teria de sofrer.

Até ao intervalo, o Benfica tentou voltar à frente, com Arthur, Pany Varela, Higor e Léo Gugiel a procurarem espaços, mas encontrou sempre um Eléctrico competitivo e um Diogo Basílio muito seguro entre os postes. Do outro lado, Telmo Sousa ainda teve uma oportunidade clara após erro na construção encarnada, mas Gugiel fez uma defesa enorme e evitou a reviravolta.

O 1-1 ao intervalo deixava tudo em aberto e refletia bem uma primeira parte em que o Benfica entrou melhor, mas perdeu ritmo depois da vantagem numérica desperdiçada.

Na segunda parte, o Benfica voltou a ter mais posse, mas nem sempre conseguiu acelerar com qualidade. O jogo manteve-se dividido, com o Eléctrico a defender baixo em alguns momentos e a sair com perigo quando encontrava espaço. Aos 25 minutos, surgiu novo momento decisivo. Após pedido de revisão dos encarnados, a equipa de arbitragem assinalou grande penalidade por falta sobre Carlos Monteiro, na sequência de um lance em que Higor já tinha acertado no poste. Chamado a converter, Edmilson Kutchy não tremeu e fez o 1-2.

A resposta do Eléctrico voltou a surgir. Aos 27 minutos, num canto na direita, Samuel Silva encontrou Renato Almeida ao primeiro poste e este desviou para o 2-2, levando o pavilhão a acreditar novamente.

Mas o Benfica respondeu quase de imediato. Aos 28 minutos, numa bola bombeada para a área, houve desentendimento entre Diogo Basílio e um colega de equipa, a bola ficou solta e Arthur só teve de encostar para o 2-3. Um golo que devolveu vantagem aos encarnados num momento em que o Eléctrico tinha acabado de empatar.

A equipa da casa continuou a lutar e quase voltou a marcar, mas o Benfica foi mais eficaz na transição. Aos 32 minutos, Simi Saiotti esteve perto do empate, mas Gugiel defendeu; na sequência, o Benfica saiu rápido, Arthur assistiu André Coelho, e o fixo encarnado, isolado perante Basílio, fez o 2-4.

O Eléctrico não desistiu e, aos 35 minutos, apostou no 5x4, com Simi Saiotti como guarda-redes avançado. A pressão aumentou muito, e a equipa da casa começou a cercar a baliza encarnada. Telmo Sousa teve uma ocasião flagrante, mas Léo Gugiel fez uma defesa impressionante com a cara, mantendo a vantagem de dois golos.

Já dentro do último minuto, a insistência deu resultado. Saiotti rematou para defesa de André Correia, Telmo Sousa acertou na barra e, à terceira tentativa, Pedro Santos fez o 3-4. O jogo ganhou emoção máxima, com o Eléctrico a empurrar até ao último lance e a conquistar um canto a dois segundos do fim, mas o Benfica conseguiu resistir.

Foi um triunfo sofrido, importante e de enorme valor competitivo para o SL Benfica, que se coloca em vantagem na eliminatória, mas saiu de Ponte de Sor com a clara noção de que o play-off exige outro nível de consistência. A equipa encarnada venceu porque foi mais eficaz nos momentos decisivos e soube castigar os erros adversários, mesmo sem uma exibição totalmente dominadora.

Já o Eléctrico FC deixou excelente imagem. A equipa de Ponte de Sor sobreviveu a uma inferioridade numérica, reagiu por duas vezes à desvantagem e acreditou até aos últimos segundos. Acabou por pagar caro alguns erros defensivos e momentos de desconcentração, mas mostrou argumentos para discutir a eliminatória.

A figura da partida foi Arthur, decisivo com um golo e uma assistência, participando diretamente em dois momentos fundamentais da vitória encarnada. Num jogo de margem curta, foi a sua capacidade de decidir em transição e aparecer no momento certo que ajudou o Benfica a sair de Ponte de Sor em vantagem.


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