O rugido ouviu-se em toda a Europa: Sporting está na final da Champions
O Sporting CP está na final da UEFA Futsal Champions League pela oitava vez na sua história, depois de derrotar o Jimbee Cartagena nas grandes penalidades por 8-9, após empate 3-3 no final do prolongamento, num jogo absolutamente épico disputado na Pesaro Futsal Arena, em Itália.
A equipa de Nuno Dias protagonizou uma exibição de enorme personalidade, dominou largos períodos da partida, criou uma avalanche de oportunidades e acabou premiada após uma recuperação fantástica diante do campeão espanhol.
O Sporting entrou praticamente a sufocar o Jimbee Cartagena. Logo nos primeiros minutos, Wesley, Diogo Santos, Felipe Valério, Tomás Paçó e Zicky Té criaram sucessivas situações de perigo, obrigando Chemi a uma exibição monumental ainda antes dos dez minutos. O guarda-redes espanhol começou desde cedo a assumir-se como figura da partida, travando remates de Tomás Paçó, Bernardo Paçó, Diogo Santos e Pauleta.
A superioridade leonina era evidente. Os números ao intervalo refletiam isso mesmo: 18 remates do Sporting contra apenas cinco do Cartagena. Ainda assim, a eficácia espanhola acabou por fazer a diferença na primeira parte.
Aos 11 minutos, Waltinho venceu um duelo físico com Tomás Paçó, pediu a bola e recebeu de Tomaz Braga antes de finalizar para o 1-0. O Sporting acusou o golpe e, apesar de continuar por cima, voltou a sofrer aos 18 minutos. Gon Castejón acelerou pela direita e colocou a bola ao segundo poste, onde Francisco Cortés apareceu sozinho para empurrar para o 2-0.
O resultado ao intervalo castigava duramente a falta de eficácia verde e branca e premiava a frieza ofensiva da formação espanhola.
A resposta leonina surgiu imediatamente após o descanso. Com apenas 1m20 da segunda parte, Diogo Santos encontrou Zicky Té, o pivô rodou sobre Darío Gil e disparou de pé esquerdo para um grande golo, reduzindo para 2-1.
O golo trouxe ainda mais intensidade ao Sporting e pouco depois surgiu outro momento importante: Chemi lesionou-se e abandonou a partida, entrando Chispi para a baliza espanhola.
A pressão verde e branca aumentou ainda mais. Bernardo Paçó subia constantemente para criar superioridade, Felipe Valério assumia o jogo ofensivo e Merlim continuava a pautar o ritmo da equipa portuguesa.
Aos 25 minutos apareceu o empate. Felipe Valério recebeu após canto, tirou um adversário da frente e rematou fortíssimo para o 2-2, culminando finalmente um período de enorme domínio leonino.
O Sporting continuou a carregar. Bruno Pinto acertou no poste, Tomás Paçó obrigou Chispi a várias defesas difíceis e Bernardo Paçó também esteve perto do golo em diversas ocasiões.
Contudo, quando o jogo parecia inclinar-se totalmente para os portugueses, o Jimbee voltou a marcar praticamente na primeira situação clara da segunda parte. Aos 34 minutos, Duda lançou o 5x4 e Darío Gil encontrou Gonzalo Castejón ao segundo poste para o 3-3.
Mesmo assim, o Sporting nunca deixou de procurar a vitória. Merlim esteve perto do golo, Tomás Paçó voltou a testar Chispi e os leões terminaram o tempo regulamentar completamente instalados no meio-campo adversário.
O encontro seguiu para prolongamento e voltou a ganhar contornos dramáticos.
O Jimbee entrou novamente em 5x4 logo no início do tempo extra, mas foi o Sporting quem marcou. Aos 43 minutos, Felipe Valério bateu o canto e Tomás Paçó tirou Pablo Ramírez da frente antes de rematar rasteiro para o 2-3, consumando a reviravolta leonina.
A vantagem durou apenas 48 segundos. O Cartagena respondeu também em 5x4 e Darío Gil descobriu novamente Gon Castejón ao segundo poste para o 3-3.
Até final do prolongamento, o Sporting voltou a estar mais perto do golo. Tomás Paçó desperdiçou um livre de 10 metros defendido por Chispi, Zicky Té reclamou grande penalidade num lance muito contestado e Bernardo Paçó ainda travou Mellado com uma defesa fantástica já perto do fim.
Nas grandes penalidades, a emoção continuou até ao último remate.
Waltinho abriu a série para os espanhóis, Bruno Pinto respondeu para o Sporting e seguiram-se golos de Darío Gil, Rocha, Pablo Ramírez, Tomás Paçó, Tomaz Braga, Diogo Santos, Juninho e Merlim.
O momento decisivo surgiu então com Muhammad Osamanmusa. O internacional tailandês permitiu a defesa de Gonçalo Portugal e Felipe Valério assumiu a última cobrança, convertendo o penálti que colocou o Sporting na final da UEFA Futsal Champions League.
Uma meia-final memorável, marcada pela enorme capacidade de reação da equipa de Nuno Dias, pela exibição gigantesca dos guarda-redes espanhóis e por um Sporting ofensivamente avassalador durante praticamente toda a partida.
Felipe Valério, Zicky Té, Tomás Paçó e Bernardo Paçó estiveram em enorme plano numa noite histórica para os leões, que voltam a discutir o maior título europeu de clubes.
Foto - @nunov.photos