Cassiano Klein: "Quando a gente perde, a primeira coisa é reconhecer o mérito do adversário, mas também reconhecer os nossos jogadores."
Num jogo que ficará na história da Liga Placard, o Futebol Clube de Famalicão surpreendeu o líder Sport Lisboa e Benfica e venceu 4-2, regressando às vitórias no Campeonato quase cinco meses depois. As Águias perderam pela primeira vez nesta edição da Liga, num jogo marcado por momentos de intensidade máxima e viragens impressionantes.
André Coelho (Benfica):
“Antes mais uma vez ao Famalicão, foi justo vencedor, conseguiu aproveitar as oportunidades.
O jogo explica-se pela eficácia.
Tivemos o controlo total do jogo. Nunca conseguimos abrir o marcador como queríamos. Em dois erros nossos, o Famalicão conseguiu abrir para dois golos de vantagem.
E no 5x4, mais uma vez fomos muito competentes, fizemos um golo, ganhámos oportunidades. Hoje não deu para nós. Amanhã estamos cá para trabalhar. Continuamos em primeiro, temos três pontos de vantagem sobre o suporte e agora é lutar o resto do campeonato para ficar em primeiro. Não, até esperei uma entrada muito forte nossa, acho que isso aconteceu.
Depois de uma competição como a Taça da Liga, é difícil inconscientemente entrar forte, estar bem, competir os 40 minutos, porque a carga física e a mental acabamos de ser muito grande. Mas nós entramos muito bem no jogo, muitas oportunidades, a fazer tudo o que o treinador nos pediu. Mais uma vez a eficácia não esteve do nosso lado e amanhã ou outro dia vamos trabalhar para isso.”
Cassiano Klein (Benfica, treinador):
“Não é por 40 minutos que eu vou mudar. Eu não acredito na vida e não acredito que o discurso seja assim.
A admiração que eu tenho dos atletas antes de entrar no campo é a mesma que eu tenho. Erramos, ok, vamos corrigir, vamos procurar melhorar. Porque eu procuro trabalhar com pessoas que se entregam, que competem de verdade. E esses jogadores, eu tiro o meu chapéu porque eles entregam de verdade.
Então quando acontece um erro, é muito claro de acusar, de falar. Mas conhecendo o dia a dia, sei que eles sentem muito isso. E talvez esse sentimento que eles criaram e que nós procuramos aprender a cada jogo e crescer com isso, é uma equipa muito competitiva. E essa equipa é competitiva pelo sentimento.
Hoje realmente a gente não conseguiu ter êxito, não conseguimos ser consistentes no ataque, erramos algumas coisas na defesa. E muito mérito do Famalicão, uma equipa muito bem postada, uma equipa que teve uma constância muito grande nos 40 minutos e aproveitou no momento crucial e teve todo o merecimento da vitória.
Todos os jogos que você vai jogar são equipas muito bem estruturadas. Muitas vezes você faz 3, 4 golos e você ganha o jogo por uma margem. Mas o jogo não reflete isso. E nós sabemos que a nossa maior luta, na nossa parte intrínseca, digamos, entre nós, é provar isso diariamente.
O jogo que você tem alguma pontuação e outra equipa tem uma pontuação menor, as pessoas acreditam que o jogo vai ser fácil. Nós nunca acreditamos nisso. Todos os jogos, o próximo jogo nosso, a gente sabe o tanto que a gente vai ter que trabalhar para chegar lá e competir. O outro depois, igual. Não é fácil você se manter brigando para as primeiras posições por isso. Porque você não pode relaxar, está sempre no máximo, procurando melhorar. Tudo que acontece no jogo a gente procura aprender. Claro que você aprende com vitórias, é muito melhor. Quando a gente perde, a primeira coisa é reconhecer o mérito do adversário, mas também reconhecer os nossos jogadores. Uma coisa que me frustra muito na vida e no desporto é quando as pessoas não conseguem um resultado, ficar criticando, apontando o dedo. Eu nunca trabalhei assim, não acredito nisso.
Acredito que todos nós temos uma folha em branco para escrever uma história bonita e depende só de nós. Mas tem dias que a gente faz coisas bonitas e as pessoas nos aplaudem. E tem dias que as coisas não acontecem. E quando não acontece eu sou o primeiro a abraçar eles, procurar entender porquê aquilo aconteceu e procurar trabalhar no outro dia, que é o mais importante. É a ação. O falar não é tão difícil, mas você acordar no outro dia e ter espírito para fazer as coisas é o mais desafiador.”