Jornada 17: Onde a pressão começa a separar candidatos de sobreviventes



A 17ª jornada surge com jogos interessantes e emocionantes. Entramos na fase em que os pontos, cada vez mais, deixam de ser apenas números na classificação e passam a ser o resultado visível de posições na luta pelo play-off, pela manutenção e pela afirmação competitiva numa época que tem sido fantástica para o adepto da modalidade. Nesta altura do campeonato, quem quer lutar por títulos e pelo play off tem de mostrar consistência. Quem quer fugir aos lugares perigosos tem de mostrar carácter. E quem ambiciona surpreender precisa de provar que não vive apenas de momentos mas de processo.

SC Braga vs FC Famalicão

Os arsenalistas, orientados por Joel Rocha, ocupam o 4º lugar. Estão numa posição que demonstra estabilidade competitiva e afirmação como candidato sério ao play-off e depois na fase seguinte, ir em busca de algo mais. Nesta fase, não pode desperdiçar pontos frente a equipas da metade inferior da tabela. O desafio aqui não é apenas ganhar é mostrar controlo, maturidade e intensidade competitiva constante, porque a regularidade exibicional tem faltado aos guerreiros do Minho. Do outro lado, o Famalicão caiu para o último lugar da classificação. A entrada de Hugo Oliveira não foi cosmética, creio que foi uma tentativa de choque estrutural. No entanto, têm que ser os jogadores os construtores do objetivo traçado. É que só restam seis jornadas. Isso significa margem de erro praticamente nula. Não há espaço para “bons jogos sem pontos”. Ou começam a pontuar ou cenário da descida pode ser uma desagradável realidade. Para os dois conjuntos aplica-se uma necessidade de pragmatismo absoluto: defender bem, sofrer pouco, eficácia máxima nas oportunidades criadas.

Torreense vs Leões de Porto Salvo

O Torreense, orientado por Cláudio Martins, vive um momento sólido: três vitórias consecutivas em três competições diferentes: Taça da Liga, Taça de Portugal e campeonato, com a particularidade de todas acontecerem fora de portas. Isso não é detalhe. Isso revela trabalho interno, após a pausa, provocada pelo euro de futsal e do mercado de inverno, temos aqui um sinal de capacidade de adaptação a contextos adversos por onde navegou a equipa em alguns momentos da época. A equipa da casa, na tabela classificativa tem mais duas equipas com o mesmo número de pontos, Lombos e Eléctrico. E aqui convém ser claro: quem está nesta posição, ainda não está confortável, continua vulnerável. Do outro lado, os Leões de Porto Salvo apresentam a mesma sequência de vitórias após a retoma do campeonato. Ocupam o 3º lugar, mas com o Braga na perseguição direta. Não podem ceder. Uma escorregadela pode custar posição e vantagem estratégica na grelha do play-off para a fase seguinte. A equipa de Cláudio Moreira com a recuperação de jogadores fundamentais no processo, parece ter regressado aos seus melhores momentos. O golo de Ruan Silvestre, na ultima jornada ainda está na retina. Aqui não ganha apenas quem está melhor. Ganha quem errar menos nos detalhes.

Ferreira do Zêzere vs Caxinas

O Ferreira do Zêzere ocupa o 6.º lugar com 20 pontos. Está dentro da zona de play-off, mas esta classificação não está consolidada. Nesta fase da época, equipas nesta posição não podem desperdiçar pontos frente a adversários em zona de descida. Se o objetivo é estabilizar entre os oito primeiros, este é daqueles jogos que a obrigatoriedade de vencer é crucial. Do outro lado, o Caxinas ganhou novo fôlego com a vitória no dérbi de Vila do Conde diante do Rio Ave. Contudo, os problemas não desapareceram, dado que continua em lugar de despromoção com 13 pontos. É verdade, que vitória deu ânimo e levantou a moral das tropas mas não alterou a realidade classificativa. Continua com margem curta de erro e pressão máxima para escapar a estes lugares de descida. Este é um confronto típico entre ambição de consolidar um lugar entre os oito primeiros e o instinto de sobrevivência. No fundo, tudo se resume, de um lado garantir o play-off, do outro continuar vivo.

Rio Ave FC vs Eléctrico

O Rio Ave, orientado por Bruno Guimarães, está no 5º lugar com 22 pontos. A classificação é confortável, mas o momento recente levanta dúvidas: derrota no dérbi e dificuldades anteriores frente ao Macedense na Taça de Portugal. Estes resultados podem ser sinais de oscilação competitiva. A questão central é clara: qual é o verdadeiro estado anímico da equipa? Confiante na sua qualidade ou afectada pelas últimas exibições? Trabalho da equipa técnica a mexer neste factor de rendimento: o psicológico. Do outro lado surge o Eléctrico, que perdeu ao cair do pano na última jornada, diante do Braga. Estas derrotas pesam mais do que três pontos, e já não é a primeira vez que se repete este drama. A equipa de Ponte de Sôr, encontra-se numa zona híbrida perigosa: tanto se pode aproximar do play-off como cair para lugares de despromoção. Com 17 pontos, está lado a lado com Torreense e Quinta dos Lombos. Aqui cada jornada altera drasticamente o cenário atual. Este pode ser um jogo de “nervos”. Se o Rio Ave entrar afirmativo e controlar o ritmo, reforça candidatura ao top 5. No entanto, se o Eléctrico mantiver organização e explorar momentos de dúvida, pode sair de Vila do Conde com pontos decisivos para os seus objetivos na prova.

SL Benfica vs AD Fundão

À partida, é o jogo mais desequilibrado da jornada. Mas convém não simplificar. O Benfica, líder isolado, vem de dois confrontos de altíssima intensidade frente ao Sporting, um para o campeonato e o outro para a UEFA Futsal Cup. Jogos destes deixam marcas físicas. A questão não é qualidade. É a gestão. A equipa de Cassiano evidência confiança. A sua organização ofensiva em 4:0 apresenta fluidez, mobilidade constante e conexões muito trabalhadas entre alas e fixos, bem como a subida do guarda-redes em construção ofensiva. A utilização do 3:1 também existe nas ações ofensivas, embora com outros comportamentos, assentes em sobreposições e algumas “bolas de tempo”. Há leitura de espaço, há critério na circulação e há paciência na procura do momento certo para finalizar. Nesta fase, perder a liderança na fase regular é cenário altamente improvável. Do outro lado, o Fundão atravessa bom momento pós campeonato da Europa, três vitórias consecutivas. É verdade que está no 10.º lugar, numa zona absolutamente instável, dois pontos acima da descida e dois abaixo dos play-offs. Isto significa uma coisa: todas as jornadas são finais. Este é o típico jogo em que o líder é o favorito claro. Contudo, também é o tipo de jogo onde uma equipa que luta pela sobrevivência pode jogar com intensidade máxima e tentar surpreender, pois quaisquer “migalhas” de pontos são preciosas.

Quinta dos Lombos vs Sporting CP

A Quinta dos Lombos entra para esta jornada na 7ª posição com 17 pontos, exactamente os mesmos da primeira equipa fora da zona de play-off. Traduzindo: margem zero para falhas e distracções. Eliminada da Taça de Portugal e da Taça da Liga, a equipa orientada por Alcides Lopes não tem nem desculpas. O foco é total no campeonato. A prioridade estratégica é clara: assegurar manutenção o mais cedo possível e depois, se possível, consolidar presença entre os oito primeiros. Do outro lado está o Sporting, 2º classificado. A equipa de Nuno Dias vem de dois jogos de altíssima intensidade frente ao Benfica, campeonato e UEFA Futsal Cup. Facto: Foi surpreendida já nos segundos finais de ambas as partidas. Haverá aqui no leão alguma fragilidade, essencialmente na gestão emocional dos momentos decisivos? Se o Sporting entrar determinado a reafirmar estatuto de candidato ao título, impõe-se. Se permitir desconcentrações e deixar o jogo viver até aos minutos finais, os Lombos podem tornar-se um incómodo sério.

Concluindo, é uma jornada onde o factor emocional pesa tanto quanto a tática. Quem souber gerir pressão, contexto e detalhe competitivo dará um passo firme para atingir os seus objetivos. Quem falhar pode comprometer meses de trabalho. É verdade que na 17ª jornada não se decide o campeão, nem play offs ou descidas, mas começa a definir-se quem chega a Maio com argumentos e quem chega com arrependimentos.

Viva, o futsal.


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