Marquinhos Xavier deixa críticas à “geração de treinadores IA”
O selecionador brasileiro Marquinhos Xavier, campeão do mundo de futsal pelo Brasil, publicou um vídeo nas redes sociais onde deixou duras críticas à nova geração de treinadores, numa reflexão que rapidamente gerou debate no meio.
Logo no início, o técnico assumiu o tom polémico da intervenção e explicou que decidiu falar por se sentir profundamente incomodado com o que considera ser uma “falta de referências” na formação dos novos treinadores.
Referências que marcaram a sua formação
Marquinhos Xavier recordou quatro nomes que considera fundamentais na sua carreira: Ricardo Lucena, Paulo Mussalem, Fernando Ferretti e Milton. Segundo o selecionador, todos tiveram carreiras extremamente vitoriosas e foram responsáveis por gerar tendências dentro do futsal brasileiro.
O técnico explicou que, quando os enfrentava, sentia que o seu “instrumento”, numa metáfora à sua postura como treinador, não podia “tocar num tom mais alto” do que o deles, por uma questão de respeito hierárquico e reconhecimento do percurso construído.
Crítica ao exibicionismo nos tempos técnicos
A parte mais contundente do discurso surgiu quando abordou o que apelidou de “geração de treinadores de IA”. Segundo Marquinhos Xavier, existe hoje uma tendência para tempos técnicos “pirotécnicos”, mais orientados para o exibicionismo do que para a transmissão eficaz de uma mensagem aos atletas.
O selecionador afirmou que, ao longo da sua carreira, houve jogos em que optou por nem sequer pedir desconto de tempo por entender que não tinha nada de relevante a acrescentar naquele momento, preferindo guardar intervenções mais profundas para o balneário.
Na sua visão, alguns treinadores atuais procuram mais projeção pessoal do que impacto real no rendimento da equipa.
“Humildade para conquistar primeiro”
Marquinhos Xavier foi ainda mais direto ao afirmar que há treinadores que “não conquistaram absolutamente nada” e que, ainda assim, assumem posturas mais ruidosas do que aqueles que construíram carreiras sólidas.
Defendeu que é necessário “um pouco mais de humildade” antes de procurar ocupar espaços que, na sua opinião, ainda não pertencem a essa nova geração.
O técnico revelou também que é frequentemente contactado por clubes à procura de treinadores e que, segundo lhe transmitem, existe dificuldade em encontrar perfis com trabalho consistente, acusando alguns de apostarem mais na exposição nas redes sociais do que na construção de currículo dentro de campo.
Debate aberto no futsal
A intervenção do selecionador brasileiro abriu um debate sobre liderança, hierarquia, formação e comunicação no futsal moderno.
Sem mencionar nomes, Marquinhos Xavier deixou uma mensagem clara: para ele, o respeito pelas referências, a humildade e a consistência continuam a ser pilares fundamentais na carreira de um treinador.
O tema promete continuar a gerar discussão no universo do futsal.
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