Quando tudo parecia decidido, Pany escreveu outro final
O Pavilhão João Rocha voltou a ser palco de um clássico intenso, tenso e decidido nos detalhes. Sporting CP e SL Benfica empataram 2-2 na Jornada 16 da Liga Placard, num dérbi que teve emoção até aos últimos segundos e que espelhou o equilíbrio entre duas equipas que continuam a marcar o ritmo do futsal nacional.
O jogo começou com o Sporting a assumir a posse inicial, mas foi o Benfica a criar o primeiro lance de perigo. Logo no primeiro minuto, Kutchy ganhou espaço na ala esquerda e rematou à malha lateral, deixando o aviso. A resposta leonina não tardou.
Aos 2 minutos, Rocha surgiu isolado após passe de Diogo, com a bola a encaminhar-se para a baliza, mas Raul Moreira apareceu no momento exato para cortar e evitar o golo.
O dérbi entrou rapidamente num registo de intensidade elevada. Aos 4 minutos, Arthur dispôs de um livre perigoso após falta de Merlim, mas Bernardo Paçó respondeu com segurança.
O Benfica procurava explorar a profundidade e, aos 6 minutos, Léo Gugiel lançou longo para a área sportinguista, onde Jacaré surgiu em zona perigosa, mas Felipe Valério levou a melhor no duelo.
O Sporting cresceu e passou a aproximar-se com maior frequência. Bruno Pinto testou Léo Gugiel aos 7 minutos e, pouco depois, Diogo Santos rematou cruzado, com Tomás Paçó a chegar ligeiramente atrasado ao segundo poste. O jogo estava partido, com oportunidades nas duas áreas. Diego Nunes ainda tentou surpreender Bernardo Paçó com um chapéu aos 9 minutos, mas a bola saiu larga.
O momento decisivo da primeira parte surgiu aos 12 minutos. Bernardo Paçó subiu no terreno e rematou por duas vezes, Léo Gugiel defendeu, Bruno Maior insistiu, a bola bateu em Afonso Jesus e voltou a sobrar para o jogador leonino, que assistiu Allan Guilherme. O brasileiro não desperdiçou e fez o 1-0, premiando a insistência verde e branca. O João Rocha explodiu.
O Benfica reagiu. Jacaré, aos 16 minutos, rodou isolado à entrada da área, mas Bernardo Paçó defendeu com os joelhos, mantendo a vantagem. O Sporting atingiu a quinta falta a escassos 12 segundos do intervalo, sinal da pressão constante e da agressividade competitiva que marcou a primeira metade. O descanso chegou com os leões em vantagem mínima.
Na segunda metade, aos 24 minutos, Wesley rematou e Allan Guilherme, de peito, atirou à barra. Na jogada seguinte, o mesmo Allan recebeu de Wesley, rodou sobre Afonso Jesus e disparou de fora da área para o 2-0, ampliando a vantagem leonina e colocando o campeão nacional sob forte pressão.
O Benfica respondeu com personalidade. Silvestre Ferreira testou Bernardo Paçó após lance de bola parada.
Aos 27 minutos, Merlim esteve perto de fazer o terceiro, obrigando Léo Gugiel a uma grande defesa. O jogo mantinha-se aberto.
Aos 28 minutos, Kutchy rematou de primeira após canto, mas a bola encontrou Jacaré pelo caminho, num lance que poderia ter reduzido a diferença mais cedo.
A insistência encarnada acabou por dar frutos aos 34 minutos. Numa excelente jogada coletiva, Léo Gugiel ligou com Kutchy, que descobriu Silvestre na profundidade. O ala assistiu Pany Varela na zona de grande penalidade. O internacional português finalizou para o 2-1, relançando o dérbi.
O Benfica acreditava. Léo Gugiel voltou a subir e a criar perigo, enquanto o Sporting tentava gerir a vantagem. Nuno Dias pediu time-out aos 37 minutos para reorganizar a equipa. Mas o clássico guardava ainda um golpe final.
A 49,9 segundos do fim, Diego Nunes encontrou Silvestre na paralela; este assistiu Pany Varela, que apareceu dentro da área para fazer o 2-2. Um empate arrancado a ferros, num momento de frieza e qualidade. Nos segundos finais, o Sporting ainda lançou o 5x4 com Merlim a vestir a camisola de guarda-redes avançado, mas o resultado não se alterou.
Foi um empate intenso num dérbi que confirmou o equilíbrio entre as duas potências do futsal português. O Sporting mostrou agressividade e eficácia em momentos-chave, mas não conseguiu gerir a vantagem de dois golos. Já o Benfica revelou maturidade competitiva, capacidade de reação e frieza nos instantes decisivos, saindo do João Rocha com um ponto que mantém intacta classificação.
A figura da partida foi Pany Varela, decisivo com dois golos e determinante na recuperação encarnada.
Este resultado ganha ainda maior significado tendo em conta que as duas equipas voltam a encontrar-se nos quartos de final da UEFA Futsal Champions League, nos dias 23 de fevereiro e 6 de março. O dérbi não terminou esta noite; apenas mudou de capítulo.
foto - castcandiphotography