O passado não conta, temos de recuperar o que perdemos” — Jorge Braz
Jorge Braz assume erros, elogia Espanha e promete resposta: “Temos duas taças para recuperar”
Ainda sob o impacto da derrota na final do UEFA Futsal EURO 2026, Jorge Braz, Selecionador Nacional, fez uma análise crua, honesta e profundamente emocional ao percurso de Portugal, assumindo os erros cometidos, valorizando a resposta da equipa e reconhecendo o mérito da Espanha, campeã europeia.
Visivelmente desgastado, mas sem fugir às responsabilidades, Jorge Braz começou por reconhecer que os erros foram determinantes no desfecho da final.
“Não me apetece muito falar do jogo. Já tínhamos feito alguns erros e demos sempre a volta. Nesta final também cometemos erros pontualmente. Essa é a parte negativa que nos impediu de levar mais um título para Portugal.”
O selecionador confessou que acreditava que o foco futuro estaria apenas no Mundial, mas a final alterou esse cenário.
“Estava mesmo convencido que só íamos ter de recuperar um título, o Mundial. Mas afinal temos de recuperar dois. A vida é assim. Ficámos sem as duas taças e temos de ir procurar recuperá-las.”
Apesar da derrota, Jorge Braz sublinhou o prazer competitivo sentido durante o encontro e a capacidade de reação demonstrada pela Seleção Nacional.
“Estava-me outra vez a dar gozo o jogo. Fizemos dois erros, recuperámos. Cometemos mais um e voltámos a entrar no jogo.”
No entanto, o selecionador apontou um excesso de ansiedade nos momentos decisivos como um dos fatores que acabaram por penalizar Portugal.
“Na segunda vez que voltámos a entrar, quisemos muito, quisemos demais, quando tínhamos de ter serenado e ter calma. Quisemos muito ser campeões da Europa e isso levou-nos a fazer erros.”
Jorge Braz destacou ainda um aspeto que já vinha identificado ao longo do torneio: as transições ofensivas da Espanha, que voltaram a causar dificuldades.
“A Espanha teve várias transições e nós já sabíamos, de outros jogos, que tínhamos de melhorar nessas transições concedidas.”
Ainda assim, o técnico não escondeu o orgulho absoluto no grupo de trabalho, frisando que a condição de vice-campeão não diminui em nada o valor da equipa.
“Tenho um orgulho muito grande dos nossos jogadores. Não é por errarem e por sermos vice-campeões que Portugal vai deixar de disputar títulos. Portugal vai continuar a estar nestas decisões.”
Numa reflexão mais profunda, Jorge Braz reforçou a ligação emocional com este grupo e o impacto que teve na história do futsal nacional.
“Estes jogadores fizeram-me viver os melhores momentos da minha vida e os melhores momentos do futsal português. Miúdos com uma personalidade e uma vontade enormes.”
Apesar do desgaste físico e emocional, o selecionador deixou uma mensagem clara de respeito institucional e desportivo.
“Há que dar mérito à Espanha. Estamos de rastos, mas simultaneamente orgulhosos por este percurso. Levámos a bandeira orgulhosamente para Portugal. Parabéns à Espanha, mereceram.”
A análise final foi feita com serenidade, mas também com ambição e compromisso com o futuro.
“Continuo a achar que são dos melhores do mundo. Seguimos. No futuro, temos de voltar mais vezes e encontrar o momento certo.”
Portugal fecha assim o Futsal EURO 2026 como vice-campeão europeu, deixando uma imagem de competitividade, resiliência e identidade forte, com a promessa clara de que o ciclo não termina aqui. Como afirmou Jorge Braz, há títulos para recuperar — e o caminho continua.
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