Portugal caiu, levantou-se… e caiu perante a noite de António Pérez



A Espanha reconquistou o título do UEFA Futsal EURO ao vencer Portugal por 5-3, este sábado, na Arena Stožice (Ljubljana), numa final intensa, cheia de mudanças de cenário e decidida nos detalhes — e, sobretudo, na eficácia espanhola nos momentos em que o jogo pedia frieza. Portugal ainda recuperou por duas vezes de desvantagens no marcador e voltou a mostrar carácter, mas acabou por ceder perante um adversário letal, com Antonio Pérez a assinar uma exibição histórica.

O jogo começou a um ritmo altíssimo e com Portugal a dar o primeiro sinal de perigo, quando Pany Varela tentou surpreender e obrigou Dídac Plana a defender para canto logo no primeiro minuto. A resposta espanhola foi imediata e devastadora. Aos 1’18’’, Antonio Pérez apareceu com espaço no corredor central, recebeu de Pablo Ramírez e finalizou rasteiro para o 0-1, num arranque que mexeu com a final desde o primeiro suspiro. Ainda Portugal procurava reorganizar-se e já a Espanha voltava a ferir: aos 2’29’’, Raya roubou a bola em zona alta, combinou com Cecilio e concluiu com tranquilidade para o 0-2, colocando os campeões em título sob pressão máxima.

A reação portuguesa, no entanto, foi imediata e cheia de personalidade. Aos 4’43’’, numa jogada de insistência, Diogo Santos esteve na origem do lance e Afonso Jesus apareceu no coração da área para reduzir para 1-2, devolvendo energia a Portugal. O empate não tardou e surgiu com assinatura de potência: aos 6’35’’, Rúben Góis disparou um remate fortíssimo que só parou no fundo das redes, colocando o marcador em 2-2 e reequilibrando por completo a final, numa reviravolta emocional que empurrou Portugal para cima do jogo.

Com o encontro novamente aberto, o duelo passou a ser mais táctico e mais duro, com as duas selecções a alternarem momentos de domínio. Portugal foi tentando explorar transições e jogo interior, enquanto a Espanha procurava controlar com posse e circulação rápida. À entrada para o intervalo, porém, o jogo voltou a inclinar-se para o lado espanhol num momento-chave: Portugal acumulou faltas e a Espanha ganhou direito a livre de 10 metros. Aos 19’20’’, Antonio Pérez não tremeu e converteu para 2-3, apesar de Edu ainda tocar na bola, recolocando a Espanha na frente numa altura decisiva, mesmo antes do descanso.

Na segunda parte, Portugal tentou responder com mais presença ofensiva, mas a Espanha foi encontrando espaço e criando perigo com regularidade. Bernardo Paçó teve intervenções decisivas, negando golos em momentos críticos, e Portugal aguentou-se vivo no jogo quando a Espanha esteve perto de cavar uma diferença maior. Do outro lado, também Dídac Plana apareceu quando foi preciso, travando um remate cruzado de Pany Varela que levava selo de golo e mantendo a vantagem espanhola.

O momento em que Portugal voltou a agarrar a final surgiu aos 29’19’’. Num lance de leitura e oportunismo, Pany Varela intercetou um passe e serviu de pronto Pauleta, que, descaído para a direita, finalizou com um remate em jeito, colocadíssimo, para o 3-3. Era a segunda vez que Portugal anulava uma desvantagem na decisão, reacendendo a esperança e o ambiente nas bancadas.

Mas a Espanha tinha um nome e uma resposta para essa insistência. Aos 35’20’’, após passe atrasado de Cecilio Morales, Antonio Pérez apareceu novamente para finalizar com qualidade e completar o hat-trick, fazendo o 3-4 num momento em que Portugal mostrava dificuldades em travar o camisola espanhol, que foi acumulando situações de perigo ao longo de toda a noite. A partir daí, Portugal arriscou tudo. Já nos dois minutos finais, Jorge Braz apostou em Tiago Brito como guarda-redes avançado, procurando criar superioridade e empurrar a Espanha para trás.

O risco abriu, porém, a porta ao golpe final. A Espanha resistiu, aproveitou o espaço e, a cinco segundos do fim (39’55’’), Adolfo confirmou o desfecho, fazendo o 3-5 e fechando definitivamente a final, num lance servido por Antonio Pérez, símbolo máximo de uma noite de eficácia e decisão.

Foi um triunfo de frieza e eficácia da Espanha, que marcou cedo, respondeu sempre nos momentos decisivos e soube aproveitar as fases em que Portugal se expôs para procurar a reviravolta. Portugal mostrou carácter, recuperou de duas desvantagens e nunca deixou a final fugir sem luta, mas pagou caro alguns erros em zonas sensíveis e, sobretudo, a incapacidade de travar o homem que decidiu o jogo.

Figura da partida: Antonio Pérez (Espanha)
O espanhol foi absolutamente determinante, assinando um hat-trick (1’18’’, 19’20’’ (10m), 35’20’’) e participando diretamente no lance do último golo com a assistência para Adolfo (39’56’’). Pela influência no marcador, pela frieza nos momentos decisivos e pelo impacto constante ao longo do jogo, foi a peça que inclinou a final.


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