UEFA Futsal EURO 2026: quem são e como jogam os quatro semifinalistas
O UEFA Futsal EURO 2026 entra na sua fase decisiva com quatro seleções que representam quatro caminhos distintos dentro do futsal europeu. Na quarta-feira, em Ljubljana, a Croácia defronta a Espanha, enquanto a França mede forças com o campeão em título Portugal. Mais do que nomes, as meias-finais colocam frente a frente identidades, histórias e momentos competitivos muito diferentes.
Croácia: organização, maturidade e controlo emocional
A Croácia chega às meias-finais sustentada num percurso de crescimento gradual e consistente. Depois de ultrapassar a fase de grupos sem derrotas e de eliminar a Arménia com um 3-0 seguro, a seleção croata apresenta-se como uma equipa disciplinada taticamente, confortável em jogos de margem curta e com uma relação muito clara com o tempo do jogo.
O modelo croata assenta num bloco organizado, leitura defensiva forte e transições bem temporizadas, evitando expor-se em ataque posicional prolongado. Duje Kustura e David Mataja têm sido as principais referências ofensivas, mas o valor da Croácia está sobretudo no coletivo e na capacidade para manter o plano mesmo sob pressão.
Historicamente, a Croácia nunca venceu uma meia-final de Futsal EURO, mas este grupo mostra maturidade competitiva para discutir o jogo até ao detalhe, especialmente frente a adversários que assumem posse e iniciativa.
Espanha: cultura vencedora e domínio estrutural
A Espanha chega às meias-finais como aquilo que sempre foi no Futsal EURO: confirmadora de estatuto. Sete títulos continentais, presença em todas as meias-finais da história da prova e uma identidade de jogo que continua reconhecível, mesmo com renovação geracional.
O percurso até aqui foi marcado por superioridade clara, culminando no 4-0 frente à Itália nos quartos de final. A equipa espanhola privilegia circulação rápida, ocupação racional dos espaços e elevada eficácia coletiva, com Antonio Pérez a assumir protagonismo na finalização, mas sempre integrado num sistema onde todos participam na construção.
Perante a Croácia, a Espanha terá de transformar domínio em vantagem real, evitando jogos longos e emocionalmente equilibrados. A experiência em fases finais é uma arma decisiva, mas o adversário promete retirar conforto e tempo à equipa espanhola.
França: potência emergente e impacto físico
A presença da França nas meias-finais representa uma mudança estrutural no mapa do futsal europeu. Estreante nesta fase do Futsal EURO, a seleção francesa confirma o que já tinha deixado claro no Mundial de 2024: não é surpresa, é projeto consolidado.
O apuramento frente à Ucrânia, decidido no prolongamento, expôs bem a identidade francesa: intensidade alta, agressividade nos duelos, capacidade atlética e transições verticais. Souheil Mouhoudine é o rosto estatístico do percurso, mas o perigo francês nasce sobretudo da capacidade de acelerar o jogo quando encontra espaço.
Contra Portugal, a França terá de provar que consegue manter competitividade em ataque organizado e gestão emocional, dois aspetos onde o adversário se sente confortável e experiente.
Portugal: identidade vencedora e domínio dos momentos
Portugal chega às meias-finais como referência absoluta do futsal europeu atual. Bicampeão continental, campeão mundial e com uma sequência histórica de vitórias em fases finais, a seleção portuguesa voltou a demonstrar força no contundente 8-2 frente à Bélgica.
O valor de Portugal está menos no sistema e mais na gestão dos momentos do jogo. A equipa sabe quando acelerar, quando controlar, quando assumir risco e quando proteger vantagem. Pany Varela continua a ser decisivo na finalização, mas o modelo português vive da inteligência coletiva, profundidade do plantel e capacidade de adaptação.
Frente à França, Portugal parte com vantagem histórica — nunca perdeu frente aos gauleses — mas terá de lidar com um adversário físico, intenso e emocionalmente desinibido. A chave estará em controlar as transições e o ritmo, evitando jogos partidos.
Leitura final
As meias-finais do Futsal EURO 2026 não são apenas confrontos entre seleções; são choques de identidade. Organização contra domínio, tradição contra crescimento, intensidade contra gestão. Em Ljubljana, o futsal europeu decide quem está pronto para a final — e quem ainda está em construção.
Na quarta-feira, o jogo vai separar estatuto de momento. E, como sempre neste nível, o detalhe fará a diferença.