Espanha sem ruído: domínio, eficácia e meia-final carimbada
A Espanha confirmou o estatuto e resolveu os quartos-de-final com uma vitória clara por 4–0 sobre a Itália, num jogo em que o marcador acabou por ser a expressão natural do que se passou na quadra: controlo do ritmo, mais posse útil e uma ocupação de espaço que empurrou a Itália para trás durante largos períodos. O início até teve sinais de imprevisibilidade — ambas as equipas acertaram nos ferros nos minutos iniciais, num daqueles avisos de que um detalhe podia abrir o encontro —, mas a Espanha manteve-se fiel à sua ideia: circulação paciente, alternância entre corredor e interior e agressividade imediata na perda para impedir transições.
O primeiro golpe chegou aos 11’03’’, e foi o primeiro momento-chave: Francisco Cortés finalizou para o 1–0, desbloqueando um jogo que ainda pedia precisão na decisão. A Itália tentou reagir com mais coragem na pressão e com saídas mais directas, mas começou a sentir dificuldades sempre que precisava de respirar com bola — e aí apareceu a segunda pancada, já com cheiro a intervalo. Aos 19’09’’, Antonio Pérez ampliou para 2–0, um golo que nasceu da capacidade espanhola de fixar, atrair e encontrar o espaço onde a Itália já chegava em esforço. A diferença ao descanso não foi apenas numérica: foi também emocional, porque a Itália passou a jogar com a urgência de quem precisa de marcar… contra uma equipa que raramente oferece atalhos.
A segunda parte confirmou essa tendência. A Espanha voltou do intervalo a mandar no jogo, a reduzir o risco e a escolher melhor quando acelerar. E voltou a marcar no momento certo: aos 25’03’’, Antonio Pérez fez o bis e escreveu o terceiro momento-chave, porque transformou qualquer tentativa italiana de reentrada num exercício quase impossível. A Itália ainda procurou mexer no jogo com mais iniciativa e remates exteriores, mas sem criar superioridade clara na zona de decisão, e acabou por ser novamente punida no detalhe: aos 35’56’’, Motta marcou na própria baliza (ag), fechando o 4–0 e resumindo uma noite em que a Espanha foi mais lúcida e mais limpa na execução.
A Espanha segue assim para uma meia-final que promete exigência máxima frente à Croácia, mantendo o seu histórico de presença constante neste patamar e deixando uma mensagem forte ao torneio: quando controla o jogo com bola e não se parte sem bola, torna-se quase impossível tirá-la do guião.
Figura do jogo: Antonio Pérez
Porque foi o jogador que mais transformou superioridade em vantagem real: bis (19’09’’ e 25’03’’), presença constante na finalização e a capacidade de aparecer nos momentos em que o jogo pedia sentença.