Jorge Braz: “Parece que banalizamos isto, mas estar nas meias-finais de um Europeu não é nada fácil”
A Seleção Nacional de Futsal voltou a assinar uma exibição consistente e de grande maturidade, vencendo a Bélgica por 8-2 e carimbando novo acesso às meias-finais do UEFA Futsal EURO 2026. No final da partida, Jorge Braz, selecionador nacional, analisou o encontro e destacou tanto a qualidade da reação portuguesa como a exigência competitiva deste patamar.
“Sabemos que estas coisas podem acontecer”
Portugal sofreu cedo, mas Braz explicou que a equipa manteve tranquilidade:
“Sabemos que estas coisas podem acontecer. Há mérito individual deles na forma como aproveitam transições ou momentos que nós permitimos. Permitimos duas ou três vezes e houve um golo, mas mantivemo-nos tranquilos.”
O técnico destacou que a equipa já estava a produzir bem ofensivamente, mesmo antes da reviravolta:
“A forma como estávamos a atacar e a produzir dava confiança. Nem sempre bem na última decisão, mas quando afinámos um pouco, os golos apareceram. Podiam ter sido muitos mais.”
Portugal esteve “extremamente consistente”
A Bélgica apostou intensamente no 5x4, mas Portugal respondeu com maturidade:
“Tentaram com armas muito boas que têm. Tomaram decisões fantásticas no 5x4, mas nós estivemos extremamente consistentes. Podíamos ter marcado três ou quatro golos a atuar em 5x4 e outros tantos em pressão alta.”
A segunda parte trouxe ainda mais controlo português:
“Fomos nós próprios. Mais posses longas, mais cuidadas, escolher melhor o momento. As oportunidades foram aparecendo e é natural terminar com este resultado.”
“Não é fácil estar nas meias-finais de um Campeonato da Europa”
Num momento de grande lucidez, Jorge Braz sublinhou o peso da conquista:
“Até parece que banalizamos isto. Não é fácil estar nas meias-finais de um Campeonato da Europa, independentemente do adversário. É preciso consistência, rigor, andar num registo altíssimo – e nós temos andado.”
Bolas paradas ainda com margem para melhorar
Questionado sobre a eficácia nas bolas paradas, o selecionador foi direto:
“A eficácia não esteve afinada na primeira parte. Disse aos jogadores para abrirem os olhos para as janelas que eram tão evidentes. Às vezes é timing, orientação, qualidade no toque final. A primeira bola parada do jogo deu quase 2 contra 0. Falhámos na definição.”
Primeiro olhar sobre a meia-final contra a França
O próximo adversário é a França, e Braz não escondeu o respeito:
“A França tem crescido muito. Estão a apostar, estão a trabalhar e têm jogadores geniais. Este jogo deles serviu também para preparar a meia-final.”
Mas o foco mantém-se no essencial:
“Mais uma vez, é focarmo-nos em nós. Estaremos prontos para a meia-final.”
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