Itália empata com a Hungria e apura-se para aos quartos-de-final
Hungria 2–2 Itália
A Itália está de volta à fase a eliminar do Europeu de Futsal. Precisava apenas de um ponto e conseguiu-o num jogo emotivo, intenso e permanentemente instável, onde esteve por duas vezes em desvantagem, mas soube resistir para garantir o apuramento e eliminar uma Hungria corajosa.
O empate a 2–2 tem sabor a vitória para os italianos e de despedida orgulhosa para os húngaros, que ficaram a um golo de fazer história.
Primeira parte: Hungria acredita, Itália reage
A Hungria entrou com a obrigação clara de vencer e assumiu o jogo desde cedo, com agressividade, remates exteriores e muita presença física. A insistência foi premiada aos 7’41’’, quando Balázs Rutai apareceu na área para finalizar após canto e colocar os magiares na frente.
A Itália sentiu o golpe, mas não perdeu a cabeça. Com mais posse e circulação paciente, foi crescendo no jogo até encontrar o empate. Aos 11’22’’, Julio De Oliveira aproveitou uma bola solta na área para fazer o 1–1, devolvendo tranquilidade aos “azzurri” e colocando pressão do outro lado.
O jogo manteve-se aberto, físico e emocional até ao intervalo, com oportunidades repartidas e um resultado que favorecia a Itália, mas deixava tudo em aberto.
Segunda parte: drama até ao fim
Sabendo que só a vitória lhe servia, a Hungria voltou a arriscar. Aos 33’01’’, Rutai voltou a aparecer — desta vez da marca de penálti — e colocou novamente os húngaros na frente (2–1), fazendo o pavilhão acreditar.
A resposta italiana não demorou. Apenas dois minutos depois, aos 34’13’’, Fabricio Calderolli apareceu em zona frontal para empatar o jogo (2–2), num momento decisivo para o desfecho do grupo.
Nos minutos finais, a Hungria tentou tudo, rematou, pressionou e empurrou a Itália para trás. Bellobuono teve de intervir, Merlim segurou bola, temporizou e ajudou a equipa a respirar. O apito final confirmou o cenário: empate, Itália apurada, Hungria eliminada.
Um regresso esperado, uma eliminação digna
A Itália ultrapassa a fase de grupos pela primeira vez desde 2016, quebrando duas eliminações precoces consecutivas (2018 e 2022). Não foi um jogo de controlo absoluto, mas foi um jogo de maturidade competitiva.
A Hungria sai de cabeça erguida. Jogou olhos nos olhos com Polónia e Itália, esteve duas vezes na frente neste jogo decisivo e ficou a um detalhe do apuramento.
Figura do Jogo — Alex Merlim (Itália)
Eleito Melhor em Campo pelo Painel de Observadores Técnicos da UEFA, Merlim foi o verdadeiro eixo emocional e técnico da Itália.
Assumiu o jogo nos momentos de maior pressão, pediu bola, rematou, criou, segurou e liderou.
Acertou no ferro, forçou múltiplas defesas de Alasztics, esteve envolvido em praticamente todas as ações ofensivas relevantes e foi decisivo na gestão do jogo nos minutos finais.
Num encontro de nervos, Merlim foi o jogador que manteve a Itália de pé.
A Itália segue agora para os quartos-de-final, onde terá pela frente a Espanha, num duelo de peso histórico.
A Hungria despede-se, mas deixa uma mensagem clara: competiu, acreditou e esteve à altura do palco.
Num grupo decidido nos detalhes, sobreviveu quem soube resistir.
Foto: GettyImagens