Erick Mendonça analisa triunfo apertado sobre a Polónia e aponta à Bélgica: “Se nos distrairmos, teremos dificuldades”
A Seleção Nacional de Futsal encerrou a fase de grupos do UEFA Futsal EURO 2026 com uma vitória sofrida por 3-2 diante da Polónia, garantindo o pleno de triunfos antes dos quartos de final. No final do encontro, Erick Mendonça analisou o jogo em detalhe, reconhecendo que Portugal esteve longe do seu melhor na primeira parte e que o adversário soube aproveitar esse deslize mental.
“Não foi surpresa nenhuma. A Polónia fez o que sabíamos que podia fazer”
Erick começou por rejeitar a ideia de que a Polónia tivesse surpreendido a Seleção Nacional:
“Não foi de todo surpresa. Já tinha dito aqui que é muito difícil sermos surpreendidos. Sabíamos perfeitamente o tipo de jogo que iam trazer: muito físico, muito direto, intenso nos duelos e agressivos nos contactos. Isso estava tudo previsto.”
A maior surpresa esteve, segundo Erick, dentro da própria equipa:
“A surpresa, sinceramente, foi a forma como nós abordámos o jogo. Não gosto de dizer que desrespeitámos o adversário — porque nunca o fazemos — mas entrámos demasiado confortáveis. E quando uma equipa grande entra confortável num jogo de fase final, corre riscos.”
“Cometemos erros de quem não estava 100% ligado ao jogo”
O internacional português assumiu que a primeira parte ficou aquém do que Portugal exige de si próprio:
“Na primeira parte cometemos erros que não costumamos cometer. Foi falta de concentração em momentos essenciais: reação à perda, agressividade na pressão e até na gestão das faltas. Chegámos cedo às três e quatro faltas, tanto na primeira como na segunda parte. Isso não é habitual em nós.”
Erick explicou que a Polónia tirou proveito desse cenário:
“A Polónia é muito física. E quando não estamos ligados, eles ganham duelos, colocam bolas diretas no pivot e obrigam-nos a defender situações que não devíamos permitir. Ainda assim, estivemos sempre dentro do jogo. Mas podíamos ter evitado grande parte das dificuldades.”
O universal referiu também a oscilação da equipa de arbitragem:
“Os árbitros oscilaram muito nos critérios, mas isso não serve de desculpa. Nós é que não estivemos ao nível de concentração que este tipo de jogo exige.”
“A segunda parte foi muito superior. Mostrámos quem somos”
Apesar da exibição menos conseguida no primeiro tempo, Erick destacou a resposta forte da equipa após o intervalo:
“Mesmo com o resultado equilibrado, na segunda parte fomos muito superiores. Aí já estivemos ao nosso nível: pressionámos melhor, estivemos mais agressivos sem bola, recuperámos a reação à perda e controlámos quase sempre o ritmo do jogo.”
“Se nos distrairmos, vamos ter dificuldades” – alerta para o futuro
Erick garantiu que este jogo deixou uma mensagem clara para o que aí vem:
“Este jogo serve sobretudo para percebermos que, se nos distrairmos, vamos ter dificuldades. A Polónia mostrou isso. E nos quartos de final não há margem para esse tipo de erro.”
O foco agora é corrigir o que falhou:
“Sabíamos tudo o que a Polónia fazia e podia fazer. O problema foi a forma como nós entrámos. Agora é trabalhar para entrar sempre ligados desde o primeiro segundo. Não podemos permitir mais uma entrada destas numa fase a eliminar.”
Sobre a Bélgica: “Menos físicos, mas mais verticais e perigosos em transição”
Erick lançou ainda um olhar sobre o próximo adversário, a Bélgica:
“A Bélgica não é tão física como a Polónia, mas é muito mais vertical. Muita transição, muito um para um, muita bola rápida para zonas de finalização. Se não nos comportarmos como devemos, será um jogo cheio de transições — e sabemos que isso é perigoso.”
A estratégia passa por assumir o controlo:
“Temos três dias para preparar o jogo. Vamos estudá-los bem e entrar com o foco que hoje faltou na primeira parte.”
Portugal segue em frente com 9 pontos e ambição intacta
Apesar das dificuldades, a Seleção Nacional fecha a fase de grupos com um registo perfeito, mantendo a ambição de renovar o título europeu.
Erick concluiu com confiança:
“O importante é que ganhámos e estamos nos quartos de final com nove pontos. Agora é preparar a Bélgica e entrar como Portugal deve entrar: ligados, focados e com vontade de assumir o jogo.”
Portugal segue em frente com ambição máxima
Com o apuramento garantido e com o grupo a crescer jogo após jogo, a Seleção Nacional entra agora na fase a eliminar com o objetivo intacto: lutar pelo terceiro título europeu consecutivo.
O duelo com a Bélgica será decisivo — e Portugal sabe que terá de apresentar a sua melhor versão.
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