100 jogos. Uma vida inteira de futsal ao serviço de Portugal de Jorge Braz



Há números que não são estatística.

São memória. São caminho. São identidade.

Esta quinta-feira, em Ljubljana, Jorge Braz atinge uma marca que poucos treinadores no futsal mundial conseguem tocar: 100 jogos oficiais como selecionador nacional de Portugal.

Não é apenas mais um jogo da fase de grupos.

Não é apenas mais uma vitória em perspetiva.

É a celebração silenciosa de 15 anos de construção, de ideias amadurecidas, de erros assumidos, de conquistas ganhas com tempo e de uma forma muito própria de entender o jogo - e o país.


Portugal entra em campo frente à Polónia já apurado, já líder do Grupo D, já com duas vitórias claras frente a Itália e Hungria. Mas este jogo joga-se também noutro plano. Joga-se na memória coletiva do futsal português.

Foi em outubro de 2010 que Jorge Braz iniciou este percurso. Desde então, o que era ambição transformou-se em realidade: dois títulos europeus, um Campeonato do Mundo, uma Finalíssima, e - talvez o mais importante - uma identidade reconhecida dentro e fora da quadra. Um Portugal que sabe o que é, que sabe como quer jogar e que nunca abdica de ser fiel a si próprio.

“O Europeu é para desfrutar, mas com seriedade. Queremos continuar a crescer.”

A frase resume tudo. Porque este caminho nunca foi feito a olhar para trás.

Sempre com os olhos no agora.


A Polónia surge como um adversário incómodo, agressivo, intenso, duro nos duelos. Uma equipa que não desiste. E Jorge Braz sabe-o. Reconhece-o. Prepara-o. Porque este Portugal aprendeu a respeitar todos os jogos, mesmo quando o destino já parece traçado.

“Estamos identificados, preparados e focados no que temos de fazer. Queremos ser melhores do que fomos nos dois jogos anteriores.”

A melhor forma de homenagear os 100 jogos não é o discurso.

Não é o aplauso.

É o jogo. É o compromisso. É a exigência diária.


Por isso, a Seleção entra em campo com a mesma ambição de sempre: fechar a fase de grupos com nove pontos em nove possíveis. Não por vaidade. Mas porque este percurso nunca se fez a meio-gás.

Jorge Braz, num sinal claro de confiança num grupo que funciona como um todo - onde todos contam, onde todos são parte da mesma construção.

E talvez seja por isso que a imagem deste momento diz tanto sem precisar de explicar.

“O próximo treino é o mais importante.”

Não é uma frase sobre o futuro. É uma declaração sobre o presente.


Sobre estar inteiro no agora.

Sobre liderança que não vive de promessas, mas de compromisso diário.

Sobre autenticidade que constrói confiança, ligação genuína com o grupo e disciplina de quem acredita que a excelência nasce da repetição consciente — todos os dias, sem atalhos.


Num pavilhão que volta a vestir-se de vermelho e verde nas bancadas, Portugal joga para continuar invicto.

Mas joga, sobretudo, para honrar um percurso que mudou o estatuto do futsal nacional.


100 jogos depois, Jorge Braz não está a celebrar o passado.

Está, como sempre, a preparar o próximo passo.


Porque a verdadeira liderança — como o futsal — vem da alma.

Ou sentes. Ou não sentes.



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