Emilly Marcondes, campeã do Mundo e referência de uma nova era no futsal feminino



O futsal feminino vive um momento que há poucos anos parecia distante. Hoje, já não se fala apenas de promessa, mas de história escrita, de nomes que ficam e de marcos que mudam o jogo para sempre. Entre esses nomes está Emilly Marcondes, protagonista de um ano absolutamente simbólico: campeã do primeiro Campeonato do Mundo feminino de futsal, eleita Melhor Jogadora da competição e agora distinguida nos Futsal Awards, entrando de forma definitiva na elite mundial.

Mais do que títulos ou prémios individuais, a trajetória de Emilly cruza-se com um movimento maior — o crescimento, a afirmação e a luta diária do futsal feminino por espaço, respeito e continuidade. Nesta entrevista, a internacional brasileira fala de origens, identidade, do peso simbólico do primeiro Mundial, das responsabilidades que acompanham o reconhecimento e da pessoa que continua a existir para lá da quadra, das medalhas e dos aplausos.

Origens e identidade

O futsal feminino em Portugal e no Brasil ainda está a construir muita da sua história. Quando olhas para o teu percurso, que marcas da tua formação — clubes, pessoas ou momentos — sentes que ainda hoje estão presentes na jogadora que és?

Emilly Marcondes:

Mudou muita coisa: hoje temos mais visibilidade, mais jogos transmitidos, mais meninas a sonhar em ser jogadoras e um pouco mais de respeito pelo nosso trabalho. Isso é bonito de ver. Mas ainda falta muito. Falta investimento real, contratos mais justos, melhores condições de treino, calendários organizados e, acima de tudo, igualdade de oportunidades. Ainda precisamos provar todos os dias que merecemos estar aqui, e isso cansa… mas também nos torna mais unidas e mais fortes.


O futsal feminino enquanto movimento

O futsal feminino tem crescido em visibilidade, mas continua a exigir luta diária por reconhecimento. O que sentes que mudou nos últimos anos… e o que ainda falta mudar de forma urgente?

Emilly Marcondes:
Mudou muita coisa: hoje temos mais visibilidade, mais jogos transmitidos, mais meninas a sonhar em ser jogadoras e um pouco mais de respeito pelo nosso trabalho. Isso é bonito de ver.

Mas ainda falta muito. Falta investimento real, contratos mais justos, melhores condições de treino, calendários organizados e, acima de tudo, igualdade de oportunidades. Ainda precisamos provar todos os dias que merecemos estar aqui, e isso cansa… mas também nos torna mais unidas e mais fortes.


O primeiro Mundial feminino de futsal

Este ano ficou marcado pela realização do primeiro Campeonato do Mundo feminino de futsal, com o Brasil a sagrar-se campeão. Como viveste esse momento histórico e que significado tem saber que fizeste parte da primeira página oficial do futsal feminino mundial?

Emilly Marcondes:
Foi um momento difícil de explicar em palavras. Quando percebi que estava ali, a viver algo que nunca tinha acontecido antes na história do futsal feminino, senti um orgulho enorme. Não foi só ganhar um título. Foi representar milhões de mulheres que lutaram para que este Mundial existisse. Saber que faço parte da primeira página dessa história é algo que vou levar comigo para sempre, com muita gratidão e responsabilidade.


Melhor Jogadora do Mundial

Ser eleita a Melhor Jogadora do Mundial é um reconhecimento máximo. Esse prémio pesou mais como alegria, responsabilidade ou confirmação de um caminho que já vinhas a construir?

Emilly Marcondes:
Foi uma mistura de tudo. Alegria, porque é o sonho de qualquer atleta. Responsabilidade, porque sei que muita gente passa a olhar para ti como referência. E confirmação profissional tanto como pessoal respondendo que o trabalho foi bem feito, porque houve muitos anos de esforço invisível, de dores, de frustrações e de dúvidas. Não foi algo que aconteceu de um dia para o outro. Foi construído com paciência, erros, persistência e muita resiliência durante toda a minha vida.


Futsal Awards e os detalhes invisíveis

Agora, com a distinção nos Futsal Awards, o teu nome entra definitivamente na elite mundial. Nos jogos, há também detalhes que contam — por exemplo, jogas com ténis Kipsta, da Decathlon. Até que ponto o conforto, a confiança no material e a simplicidade ajudam a libertar a tua criatividade dentro da quadra?

Emilly Marcondes:
Entrar nos Futsal Awards é especial, mas eu acredito muito nos detalhes simples. Os ténis, o conforto, sentir-me bem dentro da quadra… tudo isso influencia. Quando confio no material, quando estou confortável, a mente fica mais leve e o jogo flui melhor. A simplicidade ajuda-me a focar no essencial: jogar, criar, ajudar a equipa. No fundo, quanto menos peso fora, mais liberdade dentro da quadra. Queria deixar meu carinho todos os parceiros da Dechatlon Kipsta e o Jorge que foi umas das pessoas mais humanas ali dentro e com pessoas assim a gente acredita mais ainda, porque deixa de ser só um produto, mas também uma cumplicidade.


Fecho

Quando a quadra fica vazia, o barulho desaparece e ficas sozinha contigo mesma: quem é a Emilly Marcondes que não aparece nos títulos, nas medalhas ou nos prémios — e o que é que ela ainda tem para ganhar, ensinar e aprender?

Emilly Marcondes:
Quando tudo fica em silêncio, eu sou só a Emilly. Uma mulher que ainda sente medo às vezes, que sente saudade da família, que se cobra muito, que sonha mais do que fala. Sou alguém que sabe que os títulos não definem tudo, e que ainda tem muito para aprender, como pessoa e como atleta. Acho que ainda tenho para ganhar maturidade, para ensinar através do exemplo e para aprender a viver cada fase com mais calma. Porque no fim, mais importante do que ganhar troféus… é continuar a ser verdadeira comigo mesma.


Muito mais do que prémios

A história de Emilly Marcondes não se esgota nos troféus nem nas distinções individuais. Ela cruza-se com um momento fundacional do futsal feminino mundial — aquele em que o jogo deixou de pedir licença para existir e passou a exigir lugar. Entre conquistas coletivas, prémios individuais e consciência do caminho que ainda falta percorrer, Emilly representa uma geração que joga, vence e pensa o futsal para lá do resultado imediato.

Num desporto que continua a crescer à força de talento, resiliência e identidade, a sua voz é tão importante quanto os seus golos, as suas decisões em quadra ou os títulos que já conquistou. Porque o futuro do futsal feminino não se constrói apenas com vitórias — constrói-se com referências. E Emilly Marcondes já é uma delas.


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