Equilíbrio, talento e coragem: um Leões-Portimonense memorável. Na dança dos penáltis, o rugido final foi de Porto Salvo
O Leões de Porto Salvo garantiu um lugar na Final Eight da Taça da Liga Placard ao derrotar o Portimonense nas grandes penalidades (6-5), após um intenso empate 4-4 no tempo regulamentar. Num pavilhão cheio e com ambiente fervoroso, as duas equipas protagonizaram um dos jogos mais emocionantes desta fase da prova, com alternância constante no marcador, golos de enorme qualidade e um final dramático decidido apenas nas grandes penalidades.
O encontro começou com o Portimonense a aproveitar da melhor forma a primeira grande ocasião. Aos 3 minutos, Filipinho colocou a bola em Rochato, que de forma inteligente desviou de primeira por cima de André Sousa, assinando um belo chapéu para o 1-0. O Leões respondeu de imediato e, aos 5 minutos, Rúben Teixeira, com um remate seco da zona dos 10 metros, fez o 1-1, devolvendo equilíbrio a uma partida que ganhava ritmo a cada jogada.
A equipa de Cláudio Moreira ganhou ascendência ofensiva e assinou a reviravolta aos 8 minutos: depois de boa circulação, Anderson Fortes encontrou espaço na direita para assistir Leonildo Injai, que rematou rasteiro entre as pernas de Pedro Bartolomeu, estabelecendo o 1-2. O Portimonense, porém, não baixou os braços. Aos 11 minutos, Filipinho, em grande visão coletiva, ofereceu o golo a Gabriel Boas, que só teve de encostar para o 2-2.
O jogo estava vibrante, marcado pelo risco e pela velocidade. Aos 15 minutos, surgiu um dos momentos da noite: na sequência de um canto cobrado por Hiroshi, Ruan Silvestre disparou um remate indefensável ao ângulo superior direito, recolocando o Leões na frente com o 2-3. Antes do intervalo, o Portimonense dispôs de duas ocasiões claras — por Mikus e Tomás Reis — mas André Sousa respondeu com categoria. Já nos segundos finais, o guarda-redes Pedro Bartolomeu comprometeu e Rúben Teixeira, num remate de longe e com pouca oposição, fez o 2-4, levando uma vantagem preciosa para o descanso.
A segunda parte abriu com um golaço: aos 23 minutos, canto de Filipinho e Rochato, de primeira e sem deixar cair, rematou uma bomba que entrou junto ao poste, reduzindo para 3-4 e reacendendo a esperança da equipa algarvia. A partir daí, o jogo tornou-se mais tático e disputado a cada centímetro. Landelino Neto quase marcou do meio-campo após erro de Bartolomeu, mas a bola saiu a rasar o poste.
À medida que o relógio avançava, crescia também a ansiedade. O Portimonense colocou Filipinho como guarda-redes avançado e aumentou a pressão. A 1:24 do fim, após a 5.ª falta do Leões, Tomás Reis converteu de forma exemplar o livre direto, colocando a bola no ângulo e fazendo o 4-4, levando o jogo para o limite emocional absoluto.
Com o empate no final do tempo regulamentar, seguiram-se as grandes penalidades. A série começou intensa e de enorme qualidade técnica: Ruan Silvestre, Anderson Fortes, Rúben Carrilho, Landelino Neto, Henrique Rodrigues e Hiroshi marcaram para o Leões; do lado do Portimonense, também houve eficácia, Rochato, Gabriel Boas, Tomás Reis, Tomás Ferreira e Mikus marcaram. O momento decisivo chegou no último remate: Vitinho acertou na barra, selando o triunfo dos Leões por 6-5 nas grandes penalidades, e consequente apuramento para a Final Eight da Taça da Liga Placard.
Foi um jogo de altíssima intensidade, decidido nos detalhes, num ambiente fantástico em Portimão. O Leões mostrou personalidade, resiliência e enorme frieza no momento decisivo, enquanto o Portimonense assinou uma das exibições mais corajosas da ronda, caindo apenas nos limites da sorte.
A figura da partida foi Rúben Teixeira, autor de dois golos fundamentais e peça-chave na construção ofensiva da equipa de Porto Salvo.