Coronavírus: isolamento só vai arrastar o problema, diz especialista



O isolamento social é importante para atrasar a propagação do vírus, mas o essencial é fazer testes e mais testes até ser encontrada uma vacina ou medicamento, explica um dos principais epidemiologistas mundiais.
 
Larry Brilliant avisou há 14 anos que poderia haver uma pandemia que iria virar o mundo de pernas para o ar. Não é que Brilliant seja vidente, mas é um dos mais importantes epidemiologistas mundiais e um dos homens responsáveis por erradicar a varíola. Em 2005, durante uma conferência, Brilliant avisava que uma pandemia poderia afetar mil milhões de pessoais e que "até 165 milhões iriam morrer", para além de adivinhar ainda uma "recessão e depressão global", explicando ainda que os custos para a economia - que poderiam ascender aos 3 biliões de dólares - "seria bem pior para toda a gente do que a morte de 100 milhões de pessoas, já que outras tantas iam perder o emprego e os benefícios de saúde, sendo as consequências impensáveis".

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Coronavírus: o layoff de trabalhadores em 10 pontosCoronavírus: o layoff de trabalhadores em 10 pontosConfrontado com uma nova pandemia, o cientista de 75 anos tem estado na linha da frente, dando conselhos a cientistas e governos sobre como lidar com a pandemia do coronavírus Covid-19. E, apesar de estarmos muito longe dos 165 milhões de mortos que o epidemiologista previu, a verdade é que o mundo está já virado ao contrário e a economia ultrapassou as linhas vermelhas. 

Brilliant, que trabalhou com a Organização Mundial de Saúde no combate à gripe, poliomielite e cegueira, avisa que por muito eficiente que seja o isolamento social para impedir a disseminação do vírus, não é uma solução eficaz para terminar com ele. 

Brilliant diz que este vírus, sendo de uma estirpe completamente nova pode afetar toda a gente do planeta - "7,8 mil milhões dos nossos irmãos e irmãs" -, já que ninguém é imune a ele. Mas há um lado bom. É que Brilliant acredita que os resultados que mostravam que havia pessoas que tinham apanhado de novo o vírus eram "na verdade erros de testes" e não uma nova infeção. O cientista acredita que pode vir a haver pessoas infetadas duas vezes, mas que serão casos raríssimos. 

Sobre o isolamento obrigatório decretado em vários países, incluindo Portugal, Brilliant não tem dúvidas: "É um ótimo conselho. (...) Vai proteger-nos totalmente? Vai manter o mundo a salvo para sempre? Não. É uma ótima coisa porque nós queremos que a doença se arraste pelo maior tempo possível". Esta técnica é a chamada "flat the curve" (achatar a curva) e diz respeito a uma técnica que consiste em evitar um grande pico de casos em simultâneo em qualquer parte do mundo, para evitar a sobrecarga dos sistemas de saúde. "Não vamos diminuir o número total de casos, mas vamos atrasar muitos até que consigamos ter uma vacina. E vamos ter uma, porque não há nada que me faça duvidar que vamos ter uma vacina nos próximos 12 a 18 meses. Vamos conseguir o anel dourado do epidemdeologista", tranquiliza o especialista.

O objetivo final é, segundo o epidemiologista aliar a vacina à imunidade adquirida através do contágio. Ou seja, com todas as pessoas que ficarem imunes por já terem sido infetadas, juntar-se-ão todas aquelas que irão receber a vacina. "Vamos criar uma imunidade que ronde os 70% a 80%", assegura o epidemiologista. Há ainda uma outra esperança: conseguir um antiviral que ajude a curar aqueles que já foram infetados, avançando ainda dois estudos de 2005 que podem apontar para uma possível cura. "Os dois usaram modelos matemáticos com a influenza, para perceber se curar um caso através de Tamiflu podia parar um surto. E, em ambos os casos, a resposta foi positiva". 

O cientista lembra ainda um outro vírus responsável pela morte de milhões de pessoas. "Nós chegámos a pensar que o HIV/SIDA eram incuráveis e uma sentença de morte. Depois alguns cientistas descobriram medicamentos antivirais e que muitas dessas drogas podem ajudar a prevenir a doença." O cientista agradece ainda o intenso interesse que tem sido dedicado ao coronavírus: "Como houve um interesse generalizado, o dinheiro e recursos vão ser dedicados a encontrar antivirais e vacinas".

"Há grandes notícias vindas da Coreia do Sul. Eles tiveram menos de 100 casos de novas infeções. China tem tido mais casos importados do que transmissão externa. PAra nós o modelo chinês é difícil de seguir", diz o especialista, lembrando a quarentena musculada utilizada no país asiático. No entanto, o modelo sul-coreano já seria mais aceitável no mundo ocidental. "Teríamos de fazer o mesmo número de testes que eles. Eles fizeram mais de 250 mil testes", explica, acrescentando que é essencial criar uma espécie de teste de gravidez que se possa fazer em casa por qualquer um. Esta técnica seria importante para descobrir onde estão os focos de infeção. 

"Se não estiver preocupado, não tem estado a prestar atenção. Mas eu não estou assustado. Eu acredito que os passos que estamos a tomar vão alargar o tempo que é preciso par ao vírus chegar a todos. E que isto vai permitir que consigamos desenvolver a vacina ou ter um antiviral para reduzir a velocidade de transmissão. Mas toda a gente tem de perceber isto: não é uma extinção em massa. Não será o Apocalipse zombie".

"Toda a comunidade epidemiológica está a avisar o mundo inteiro para isto há 10 ou 15 anos. Que istp não era uma questão de se iríamos ter uma pandemia como esta, mas sim de quando teríamos uma epidemia como esta. Mas é muito difícil as pessoas ouvirem", lamentou o especialista em entrevista à Wired, dizendo ainda que esta será a "pandemia mais perigosa das nossas vidas".

O cientista é particularmente crítico da posição do presidente dos EUA, Donald Trump, que até há algumas semanas continuava a desvalorizar o vírus. "Recebemos algum bom conselho do nosso presidente nas primeiras 12 semanas? Não. Tudo o que tivemos foram mentiras. A dizer que era falso, a dizer que era um esquema dos Democratas. Há ainda pessoas que acreditam nisso. Como entendido em saúde pública, este foi o ato político mais irresponsável que eu alguma vez", acredita Brilliant.

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