Futuro Garantido | Diana Monteiro



Arrancamos então como prometido com a crónica Futuro Garantido e trazemos nesta primeira entrevista uma guarda-redes que já esteve num estágio de observação da Seleção Nacional, sendo assim um nome que estará num futuro próximo quase de certeza a defender as redes da nossa seleção.

Falamos de Diana Monteiro. Guarda-Redes de 21 anos, natural de e que conta com quase toda uma carreira ao serviço do Golpilheira.

A carreira

Diana começou o seu percurso desportivo na Associação Recreativa Amarense onde praticou 3 modalidades, tal como a própria nos descreveu quando questionada sobre como apareceu o futsal na sua vida: “O futsal apareceu na minha vida no clube da minha terra (Associação Recreativa Amarense). Já tinha jogada basquetebol por lá, e passei também pelo andebol, mas o que gostava mais era de jogar com os pés e surgiu essa oportunidade naquele clube”.

Olhando para os registos da Federação Portuguesa de Futebol, Diana esteve mesmo uma temporada inscrita em termos federados nesse conjunto, na altura com apenas 9 anos, sendo de resto a única época que no que ao futsal diz respeito esteve fora do CR Golpilheira.

Diana acabou por se mudar para o Golpilheira por uma questão de género, como a própria nos revelou: “No Amarense só havia rapazes e os meus pais optaram por perguntar ao meu treinador se havia alguma equipa só de raparigas. Ele falou da Golpilheira, os meus pais falaram com a Teresa e comecei a ir treinar lá”. Desde então são já 10 temporadas completas no clube, estando neste momento a cumprir a décima primeira.

 

O jogo de pés como “um ponto a favor” e as referências

Diana não se destaca apenas pela qualidade entre os postes e é reconhecida por todos os seus adversários como uma guarda-redes perigosa no que ao jogo de pés diz respeito.

Sem medo de arriscar a sair a jogar, Diana é também habitualmente usada pela treinadora Teresa Jordão quando esta quer arriscar com a estratégia de guarda-redes avançada, algo que evita as habituais correrias na troca entre a jogadora que faz essa função e a guarda-redes, uma vez que Diana consegue equiparar-se às suas colegas no que a jogo de pés diz respeito.

Questionada sobre qual o segredo para toda esta qualidade, Diana respondeu que “o segredo é o trabalho, o sacrifico e a persistência todos os treinos”.

Pode parecer um tabu, mas esta qualidade de Diana a jogar com os pés tem mesmo muito de treino, uma vez que a jovem guarda-redes, olhando para as suas sessões de treino na passada temporada, quando não treinava com as séniores aproveitava para participar nas sessões de treino das juniores, como jogadora de campo.

Ainda assim esta admite que estratégias como as que vemos atualmente na equipa masculina do Kairat por exemplo (em que Higuita joga durante quase todo o jogo em estratégia de guarda-redes subido) não é algo que goste: “Não gosto de jogar constantemente 5x4, nem o nosso estilo de jogo passa por ai, quando tem que ser feito a minha treinadora e restante equipa confiam em mim para o fazer” falando ainda da importância do seu jogo de pés no próprio estilo de jogo: “Se os meus pés são a minha maior arma, não sei mas são um ponto a meu favor”.

Curiosamente, apesar dessas qualidades visíveis no que ao jogo de pés diz respeito, as duas referências acabam por ser dois guarda-redes em que o jogo de pés não é de todo o ponto forte, sendo eles “o João Benedito e o Vitor Hugo”.

 

O número 3

Uma das grandes curiosidades de Diana é o número que esta guarda-redes costuma usar na sua camisola. Fugiu do habitual 1 de guarda-redes, do 12 que vem também associado aos guarda-redes do futebol, e mesmo do 15 ou 16 que são mais habituais nas equipas de futsal. O número nem sequer é esse 2 que pegou moda com guarda-redes como Higuita e Tiago a usarem-no habitualmente.

Diana usa o número 3 e isto tem uma justificação. Segundo a promissora guardiã, a justificação é até dupla uma vez que este numero “por ter passado por 3 modalidades (basquetebol, natação e andebol) antes de chegar ao futsal e por ter nascido no 3.º mês do ano”.

Tendo esse aspeto das 3 modalidades em conta, a Zona Técnica acabou por questionar Diana quanto à importância do desporto na infância e também em qual dos desportos tinha aprendido mais coisas que ainda lhe são uteis no futsal, questão à qual respondeu: “É sempre benéfico praticar desporto na infância como, talvez tenha tirado mais do andebol do que dos desportos, nomeadamente a minha colocação de bola com a mão”.

 

Uma “catapulta” chamada Teresa Jordão

Uma das questões que se levantam sempre neste tipo de entrevistas é, qual a pessoa mais importante para ter chegado a este nível. Diana não hesitou em afirmar que a pessoa que mais tinha catapultado foi: “A minha treinadora Teresa Jordão pois tal como ela diz «desde o primeiro treino que te vi, soube que o teu lugar era a baliza pela pancada»”.

Depois destas declarações, a Zona Técnica quis fazer também uma pequena surpresa a Diana e esteve à conversa com Teresa Jordão, a sua atual treinadora e que foi a responsável pelas equipas em que Diana participava durante quase toda a sua carreira do Golpilheira:

- Teresa Jordão e a história de Diana no Golpilheira: “A Diana “apareceu” na Golpilheira para treinar em 2009 e curiosamente como jogadora de campo. Na época anterior jogava com os rapazes na AR Amarense. Continuou como jogadora de campo até ao penúltimo jogo da época 2011/2012 e no último jogo, Final da Taça Distrital a Guarda Redes, até essa data, não pode estar presente (à última da hora) e eu escolhi a Diana para a baliza. A partir desse dia passou a ser a Guarda Redes. Com grande qualidade a repor bolas com a mão e com algum jeito com os pés rapidamente ganhou o gosto pela baliza o que tornou tudo mais fácil”.

- Já no que toca ao futuro, Teresa Jordão afirmou: “Na minha opinião a Diana pode ser uma das melhores Guarda Redes do país, continuando a trabalhar. Neste momento sinto-a muito motivada após a presença no estágio da seleção A e a evoluir de dia para dia. Em suma uma Guarda Redes com muito potencial”.


Teresa Jordão e Diana Monteiro com a Taça Distrital de Juniores em 2016 


O Futuro no Clube e na Seleção

Com quase toda uma carreira no Golpilheira, que sendo um clube muito conceituado em Portugal, primeiro campeão nacional neste atual formato da competição, mas que não tem de perto uma estrutura profissional, a Zona Técnica perguntou a Diana se tinha o sonho de “voar mais alto” e conseguir fazer vida do Futsal, algo para o qual a jogadora respondeu afirmativamente: “Claro que sim, tendo em conta os meus objetivos é óbvio que penso em voos mais altos, inclusive ser jogadora profissional”.

Virando-nos agora para um ponto fundamental nestas nossas crónicas, um possível ingresso nas seleções nacionais portuguesas, Diana conta já no seu currículo com um estágio nas sub-19 e outro na seleção sénior, mas nunca representou qualquer seleção em termos oficiais uma vez que em ambos os estágios o foco era a observação de jogadoras.

A chamada a esse primeiro estágio das sub-19 foi para Diana “o princípio da realização de um sonho, significou muito, todo o trabalho e dedicação que apliquei no futsal foram recompensados”.

Antes desta primeira chamada à seleção nacional sénior, esteve muitas vezes pré-convocada para esta mesma seleção, inclusive para o primeiro Euro, algo que para a guarda-redes era um sentimento agridoce: “Ficava feliz, mas ao mesmo tempo um pouco angustiada. Ao não ser chamada ficava com ainda mais vontade de continuar a demonstrar trabalho para futuramente estar o meu nome na lista das convocadas”.

Essa chamada acabou por acontecer mesmo para o estágio de observação entre os dias 15 e 18 de Setembro deste ano de 2019, algo que Diana considera como: “uma experiência fantásticas, senti apoio por parte de todas, mas especialmente da Ana e da Sara, com as dicas que me davam e sempre a incentivarem-me”. Quanto a futuras chamadas, “só o tempo dirá se está para breve ou não, mas acredito que sim, pois irei continuar a esforçar-me para tal acontecer”.

 

A Nova Época e as mensagens finais

O Golpilheira tem esta temporada uma equipa renovada, usando a sua formação para colmatar as saídas do clube, ainda assim, segundo a jovem leiriense, o clube tem “exatamente a mesma identidade, garra e ambição naquilo que será o campeonato e sabemos que apenas depende de nós atingirmos objetivos, vamos trabalhar para chegar sempre o mais longe possível”. Já em termos individuais, a mesma promete que: “tentarei sempre superar-me e acima de tudo nunca baixar os braços”.

Numas mensagens finais, primeiro aos adeptos do Golpilheira, Diana pediu “que não deixem de acreditar em nós mesmo quando os resultados não são favoráveis porque nós damos o nosso máximo dentro de campo e acima de tudo em prol do emblema que temos ao peito”.

Já às meninas que sonham um dia chegar a este Campeonato Nacional de Futsal Feminino, aconselhou: “Não desistam dos vossos sonhos porque mais cedo ou mais tarde serão recompensadas, a sorte protege os audazes e o sonho comanda a vida”.

 

A Zona Técnica agradece desde já a Diana a sua disponibilidade para esta entrevista e para terminar deixa mais uma surpresa à entrevistada que serve também como um cartão de visitas para quem não conhece tão bem esta guarda-redes, um vídeo com alguns bons momentos de Diana nos últimos tempos onde encontramos algumas defesas de qualidade e um golo de belo efeito:




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